#RPGaDay – Dia 23 – Produto de RPG com a aparência mais bacana

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 23 – Produto de RPG com a aparência mais bacana

Quando pensei sobre o que escreveria no post de hoje, uma coisa já minha vinha à mente. Porém, enquanto estou aqui digitando essas palavras, penso em outros candidatos. Por exemplo, os livros dos Reinos de Ferro. Bem trabalhados, toda uma estética que define o clima do cenário, mas o fundo cinza pode atrapalhar um pouco a leitura. Pensei também em falar dos clássicos D&D ou Vampiro, com seu preto e branco, ilustrações simples mas que diziam muito com pouco, ou do One Ring, mas o pouco que li dele, apesar de bonito, não destronou ainda meu favorito.

changeling

E o que escolhi como RPG com aparência mais bacana pra esse post foi… Changeling! Especificamente a versão lançada pela Devir, ainda pela versão do Velho Mundo das Trevas. Não cheguei a ver a versão Novo Mundo das Trevas do Changeling, mas pelo que vi da versão de Mago, a antiga ainda deve ser a melhor.

Changeling é talvez o título do Velho Mundo das Trevas mais incompreendido. Em meio a Vampiros, Lobisomens, Múmias, Magos e Demônios, Fadas! Por ser totalmente colorido, é visto como o livro mais feliz da série. Porém, não é lembrado que os contos de fadas originais eram um pouco mais macabros e viscerais, foram deturpados ao longo do tempo para versão mais fofinhas e menos assustadoras. Fadas não são clones da Sininho. Fadas podem ser goblins asquerosos, trolls nobres ou mesmo exus vestidos em roupas do oriente médio.

Há também o fator psicológico, porque os jogadores são fadas em corpos humanos. Enquanto adormecidos, são pessoas normais, mas quando despertos em seu mundo povoado pelos sonhos recuperam sua forma original. É um jogo que lida com a perda da inocência, do tornar-se adulto e da busca pela recuperação dessa graça perdida. Vampiro lida com a perda da humanidade enquanto aprende a lidar com sua Besta interior. Changeling lida com a perda da inocência e criatividade frente à banalidade da vida moderna.

E se nos permitirmos um pouco de liberdade na interpretação de como Changeling ocorre, poderia tudo se passar dentro da cabeça dos personagens. Enquanto é um troll nobre empunhando uma espada e derrotando um dragão, está pulando e batendo gravetos contra o ar na vida real, possivelmente sendo visto por outras pessoas e taxado de louco, mas não pode deixar seu mundo de sonhos de lado, porque lá está algo que o impede de ser mais um zumbi sem emoções genuínas caminhando maquinamente pelo mundo, um robô.

trollvdragon

Dito isso, os sonhos estão bem representados em Changeling com uma bela diagramação e belíssimas ilustrações de Tony DiTerlizzi, que ilustrou também Planescape. O conto de abertura já dita o tom do jogo e o que podemos esperar, como toda boa produção daquela época da White Wolf.

Enquanto escrevia esse post, fui ler um pouco sobre a nova versão de Changeling. Descobri é ainda mais pesada, focando no lado de terror das fadas, na acepção original da palavra que se referia a humanos bebês trocados em seus berços por bebês-fada, que eram criados na terra das fadas e passavam por situações que somente suas mentes distorcidas permitiam considerar. Pode não ter ilustrações tão belas quanto a edição do Velho Mundo das Trevas, mas certamente é bem mais tensa.

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#RPGaDay – Dia 22 – Melhor compra de RPG de segunda mão

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 22 – Melhor compra de RPG de segunda mão

Por muito tempo, minhas compras de RPGs antigos e miniaturas no EBay foram as melhores, afinal, lá que consegui o Rules Cyclopedia que tanto queria. Mas foi numa loja online nacional, um sebo só de RPGs por assim dizer, a d3store, que consegui minha melhor compra de segunda mão.

A minha campanha principal, que tanto falei por aqui, tinha passado por um período em Amn. Isso foi devido ao fato de quase todos nós termos jogado bastante Baldur’s Gate (embora tivéssemos jogado quase o mesmo tanto de Icewind Dale e nunca levamos a campanha para lá) e ao background de um dos personagens, o ladrão Snake do Décio. Pois bem, várias regiões de Forgotten Realms foram descritas em caixas, com mapas, livros de cenário e livros de aventuras, Amn, Tethyr e não estavam de fora. Havia a caixa da Lands of Intrigue e havia uma na d3store.

intrigue

O problema é que a caixa estava danificada. O vendedor prontamente me ofereceu duas alternativas. Aceitar a caixa como estava e ter um desconto, ou esperar chegar uma caixa nova em folha, lacrada. Obviamente essa foi minha escolha! Uma caixa de AD&D lacrada? Claro que eu espero! Ter a sensação de abrir novamente uma caixa de jogo, coisa que só o pessoal da Redbox veio a proporcionar quando abriram sua editora para lançar o Old Dragon e deu o revival do movimento das caixas de jogos no Brasil… Caramba!

Infelizmente a campanha já tinha sido terminada, embora ainda estejamos (a passos de tartaruga) dando uma revisada no material descritivo de campanha, ajustando explicações de acontecimentos, histórico de PCs e NPCs… A caixa tem seu valor sentimental, além do valor de poder dar mais detalhes ao que não pudemos detalhar antes. E também tem a possibilidade de um dia virmos a fazer uma seção especial com os descendentes daqueles personagens, mas isso é uma história pra outro dia.

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#RPGaDay – Dia 21 – RPG licenciado favorito

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 21 – RPG licenciado favorito

A minha franquia favorita é Star Wars. Desde moleque, bem pequeno, conheço os personagens, a história e virei consumidor dos produtos. Mais especificamente, meu maior contato com Star Wars foi depois que passei a poder alugar filmes na locadora por vontade própria, e não apenas quando meus pais quisessem. Isso levou a alguns dias vendo O Império Contra-Ataca repetidas vezes e a vários aluguéis dos cartuchos de Super Nintendo (já que só lembro de ter jogado Star Wars no NES uma única vez).

RPGs de Star Wars existem há tempos. Começou com a versão d6 System lá nos anos 80 (se não me engano) e ficou por isso mesmo por um bom tempo. A Dragão Brasil chegou a ter uma adaptação para Vampiro (trazendo uma adaptação mais fiel) e AD&D (oh the shenanigans!). Finalmente um RPG oficial de Star Wars apareceu quando a Wizards of the Coast trabalhou o d20 e eram livros muito bacanas! Mas não cheguei a ter nenhum.

saga

Foi quando a 4ª edição de D&D estava pra sair que o Star Wars Saga foi lançado. Em formato diferente do padrão, quadradinho, os livros lançados traziam um reboot dos RPGs de Star Wars. Cheguei a comprar alguns além do livro básico, como o Threats of the Galaxy e o Knights of the Old Republic Campaing Setting, por estar jogando KOTOR 1 na época. Porém, é mais um RPG que ainda não joguei.

edge

Recentemente a Galápagos Jogos lançou no Brasil a caixa inicial do novo RPG oficial de Star Wars, o Edge of the Galaxy. A caixa é bonita, traz o conjunto de dados especiais (tem um app pago para isso nas principais lojas de apps mobile), mas acho que acaba ocupando muito espaço na prateleira pelo que oferece. A vibe de jogar com contrabandistas, pessoas normais que querem se dar bem na galáxia e não com jedis traz um novo olhar para o jogo sem parecer um mestre tirano que não deixa os jogadores escolherem as classes que quiserem. Só a aventura da caixa já traz uma boa diversão e serve como introdução pro grupo de aventureiros continuar com o livro básico (ainda não lançado).

Dei muito pouca atenção para o One Ring, o novo RPG oficial de Senhor dos Anéis, mas quem sabe consiga parar pra dar uma lida nele? Pode vir a ser o novo RPG licenciado favorito.

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#RPGaDay – Dia 20 – Daqui a 20 anos ainda vou jogar

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 20 – Daqui a 20 anos ainda vou jogar

Acho que a ideia desse dia era dizer qual RPG ainda vou jogar, mesmo daqui a 20 anos. É difícil dizer que ainda jogarei D&D, será que ainda vai existir? Será que as regras terão mudado tanto que não poderá mais ser chamado de D&D? Ou será que estarei jogando algum retroclone que emule seu sistema de regras, seja o OD&D, AD&D ou mesmo clones de D&D 3.5?

Vampiro por exemplo, passou por modificações grandes, dizem que melhorou o sistema e o deixou mais dinâmico. Aproveitaram e mudaram a mitologia do jogo, retornaram com o ar de desconhecido e mistério da 2ª edição que se perdeu no foco na politicagem da 3ª edição. Pode-se dizer que é o mesmo jogo?

Mesmo que pegue os livros antigos e tente jogar com o mesmo sistema de regras, qualquer que seja, GURPS, 3D&T, Senhor dos Anéis, a cabeça dos jogadores terá mudado. Com novos conhecimentos, novas atribuições da vida, novos olhares para o mundo, os mesmos jogadores não são os mesmos mais e o modo de jogar não é mais o mesmo, portanto. O AD&D jogado ontem é diferente do AD&D jogado hoje e do jogado amanhã.

Diante dessas colocações, apenas posso dizer que daqui 20 anos ainda estarei jogando. Não sei o quê. Não sei nem se RPG, ou se ainda poderemos chamar de RPG. Mas estarei jogando, porque sou homo sapiens, homo ludens.

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#RPGaDay – Dia 19 – Aventura publicada favorita

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 19 – Aventura publicada favorita

Aventuras prontas são vistas como um mal necessário. Em parte como um mal por haver jogadores e mestres que as odeiam, defendendo que são para mestres preguiçosos e que limitam as escolhas dos jogadores. E são necessárias justamente por servirem aos mestres que não têm tempo para ficar elaborando aventuras novas a todo momento ou que precisem de um exemplo de como jogar ou como estruturar uma aventura para um novo sistema, ou talvez experimentando uma nova temática.

A meu ver, gosto das aventuras prontas. Tanto pela falta de tempo de ficar criando mundos novos, coisa que era mais fácil de se fazer quando não tinha as atribuições da vida adulta, quanto para experimentar pontos de vista diferentes e conhecer novos sistemas. O Adventure Path da 3ª edição do D&D começou assim, para mostrar vários estilos de jogo, do dungeon crawl a aventuras sandbox, a expor situações de regras que merecessem uma explicação com exemplo ou mesmo uma oportunidade de levar personagens do 1º ao 20º nível em estruturas fechadas de jogo.

Embora seja uma aventura pronta que usei na minha maior campanha de AD&D e tenha causado um grande acontecimento nessa campanha (com direito a repercussões, retorno às camadas do Abismo, morte e vingança), For Duty & Deity não é minha aventura favorita. Há um espaço reservado para ela na minha mente e no coração por tudo que passamos quando os bravos aventureiros foram salvar Waukeen das mãos polidáctilas de Graz’zt.

Dragão Brasil 10

Talvez seja O Templo do Observador, aventura para AD&D e D&D publicada na Dragão Brasil nº 10. Pelo menos por 3 vezes mestrei essa aventura, talvez 4. A primeira em minha primeira campanha de D&D, quando Daniel e Igor adentraram o templo quando a cidade ficou sob a peste. Mais uma vez na grande campanha de AD&D onde os mesmos jogadores e outros ainda fizeram valer seu heroísmo. Pela terceira vez com outro grupo, formado por Márcio, Fernando e João Paulo, que enfrentavam as mesmas aventuras iniciais da grande campanha de AD&D, oportunidade que tive de ver outras soluções, outros desdobramentos para essas aventuras.

Talvez tenha havido uma quarta oportunidade, numa daquelas viagens de colégio em que acabava mestrando no fundão do ônibus. Lembro que pelo menos uma vez mestrei aquela aventura da Só Aventuras que vinha com o Katabrok e amigos para uns calouros do colégio que estavam conhecendo RPG. Talvez não tenha havido essa quarta vez, mas talvez ela ocorra algum dia, já que foi adaptada para Old Dragon.

Não falei muito sobre a aventura, mas ali em cima, no link para o download da conversão para Old Dragon vocês podem descobrir mais. Digamos que seja uma clássica aventura de buscar um McGuffin na masmorra, com um monstro que para muitos grupos seria TPK (Total Party Killer). É interessante ver como diferentes grupos, ou os mesmos jogadores em diferentes momentos, reagem a essa aventura, ou a qualquer outra. Ela foi escolhida por estar ali, de fácil acesso, e por ter um beholder como inimigo, monstro esse que conhecemos primeiramente no desenho Caverna do Dragão.

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#RPGaDay – Dia 18 – Sistema de jogo favorito

agosto 18, 2014 1 comentário

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 18 – Sistema de jogo favorito

Não posso negar, depois dessa série toda de posts, que meu sistema favorito foi o AD&D 2ª Edição. Embora goste da simplicidade do D&D da caixa preta da Grow, e tenha acabado buscando essa mesma simplicidade no Old Dragon, o lugar especial do AD&D é mantido pela campanha de 7 anos que mantive com meus amigos em Forgotten Realms e pelas outras antes dessa, como a campanha de First Quest que jogamos por um tempo alguns anos antes dessa.

A segunda edição do AD&D era um tiro de canhão comparado com uma pistola em relação ao D&D que jogávamos. Expandia a lista de classes de personagem, de raças, introduzia coisas como perícias com armas e perícias comuns, que acabavam diferenciando os personagens, embora não usássemos a toda hora. A introdução de kits de classe, para customizar ainda mais o personagem, dando desde os níveis iniciais a cara de que aquele paladino era na verdade um caçador de dragões em treinamento, os próprios cenários que acompanharam o lançamento do AD&D no Brasil… Era tanta coisa nova, tantas possibilidades. E nem chegamos a conhecer o AD&D 1ª Edição. Hoje tenho ele ali na prateleira, ainda embalado, pronto pra ser comparado com a 2ª.

Os livros de opções, como os Player’s Options e os DM Options traziam mudanças nas regras e novas manobras que procuravam corrigir alguns dos problemas que foram identificados no AD&D e acrescentar opções. Algumas dessas sugestões foram incorporadas ao que se tornou o D&D 3ª Edição.

Se formos analisar como o sistema evoluiu do AD&D 1ª Edição e o que levou à criação do D&D 3rd, veremos que essa paixão pelo AD&D 2nd é mais saudosismo que ter um sistema de regras coerente e que não fosse quebrado. Claro que a 3ª Edição também teve seus problemas e ficou quebrada com a miríade de talentos e classes de prestígio, essas que vieram substituindo os kits de classe, mas acabaram atrasando para níveis posteriores a tradução em regras do conceito do personagem.

Tentar entrar no mérito de entender o que levou a 2ª edição e a 3ª a serem o que foram ou defender porque uma é melhor que a outra está longe do escopo desse post. Dizer que o texto descritivo dos livros da 2ª era melhor do que o dos livros da 3ª é ignorar o foco de cada edição e o que motivava o lançamento de novos livros. Assim como qualquer outra edição, cada uma tem seu propósito, seu público alvo e o zeitgeist da época em que foram desenvolvidas.

Para mim, toda essa carga de 7 anos de campanha, diversos suplementos baixados via Kazaa e Emule para enriquecer o background das aventuras e as risadas e roladas de dados junto a amigos na mesa tornam o AD&D 2ª edição meu sistema favorito. E provavelmente, dada uma aleatoriedade qualquer, a resposta poderia ser outro sistema qualquer, mas com a mesma justificativa.

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#RPGaDay – Dia 17 – Jogo mais divertido que jogou

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 17 – Jogo mais divertido que jogou

Uma vez estava em Resende fugindo do carnaval do Rio. Era algo que costumava fazer com certa frequência porque… sei lá, acho que foi porque nunca achei graça no carnaval, apesar de manter um apreço por ver o desfile da Salgueiro, coisas de família. Pois bem, naquela época estava namorando uma garota que cobria o evento do carnaval no sambódromo, ela ia fazer plantão nos dois dias e resolvi me refugiar na roça. O Décio foi junto, também desprovido da namorada. Decidimos nos encontrar na casa do Henrique, que tem o costume de ser caseiro até demais e nos juntar para jogar RPG, algo que se tornou muito raro desde que terminamos nossa campanha de AD&D anos antes.

Enquanto passava o carnaval na TV ao nosso lado, com algumas paradas para vermos escolas que gostávamos, entre um copo de coca-cola e outro, estávamos rolando dados. Despretensiosamente, escolhemos o sistema que mais nos serviria naquele momento para um jogo rápido, divertido e sem muito compromisso: 3D&T. Por mais que alguns jogadores torçam o nariz para o sistema, talvez pela maioria do material de apoio lançado pela Dragão Brasil ter sido de anime e mangá, pela minha experiência pessoal com jogadores novos foi uma estratégia acertada para trazer pessoas a esse hobby. Era um sistema fácil de aprender, tão simples quanto quiséssemos mantê-lo simples e com muito material adaptado com que os novatos pudessem se identificar.

Unimos duas paixões nossas nesse dia: RPGs e jogos de luta. Numa só madrugada, resolvemos seguir a campanha de Street Fighter Alpha 3, da primeira revista do 3D&T com a adaptação do jogo de arcade, passando pela adaptação de Final Fight e terminando na revista que trazia a base da Shadaloo. Fui de Guy e o Henrique não lembro, acho que o Ryu, o Décio era o mestre. As garrafas de coca-cola e as pizzas esquentadas no forno iam e vinham enquanto trocávamos punhos e pontapés com os capangas da Shadaloo e da Mad Gear. Jogávamos uma aventura atrás da outra com pouco tempo para parar e descansar, queríamos avançar, fazer vozes toscas e imitar nossos heróis dos arcades. Tentar fazer o Guy ser de fato um ninja ao invés de só um lutador de rua que se diz seguidor do bushido e lutador de ninjutsu, se esgueirando pelas sombras do covil da Mad Gear, tentar enfrentar os campeões do ringue após falhar miseravelmente na tentativa de invasão caindo bem no meio da luta clandestina…

3D&T pode não ser um sistema complexo ou com uma cara séria o suficiente para agradar jogadores da velha guarda, mas cumpriu bem seu papel de nos divertir em uma madrugada quente de carnaval, onde estavam só os guris longe de suas namoradas.

rpgaday

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