Retrospectiva 2012 e Resoluções 2013: Jogos
Bem-vindos ao provável último post do ano de 2012, um ano que para mim foi cheio de acontecimentos marcantes, como a obtenção do meu mestrado em ciência da computação na área de computação gráfica. Foi um ano também de procrastinação de várias coisas que eu queria fazer, como leituras de quadrinhos e livros.
Neste post em específico, trato sobre os jogos que zerei no ano de 2012 na retrospectiva do ano. Nas resoluções para 2013, falo dos jogos que pretendo zerar neste ano que se inicia. E se conseguir, farei outro post sobre leituras e accomplishments de 2012 e resoluções para 2013.
Não se esqueçam de comentar sobre o que vocês fizeram em 2012 e o que pretendem fazer em 2013, seja no próprio corpo do comentário ou com o link para um blogpost.
Retrospectiva 2012
Toe Jam & Earl (PS3) – Foi minha grande dívida com o Mega Drive. Alugava direto esse jogo, muito bom pra jogar em dupla. Só falta fazer isso pela PSN ou localmente.
Cave Story+ (PC) – Não é a toa que é a princesinha dos indies. Cave Story é um shooter muuuuuuuuuuito bonito e com uma bela história. Falta só fechar com o final secreto.
Daytona USA (PS3) – Joguei Daytona algumas vezes em arcades e no N64. Não lembro se meu primo tinha no Saturn dele, mas me divertiu mais que Gran Turismo 5 e foi o primeiro que platinei (apesar de não ter troféu de platina…).
Journey (PS3) – Lindo! A vedete indie do momento, até que surja outro que o destrone. Journey fecha a trilogia da thatgamecompany no contrato com a Sony e foi lançado em pacote com Flower e Flow. É um jogo que até que não joga consegue se emocionar.
Cavaleiros do Zodíaco – A Batalha do Santuário (PS3) – Eu particularmente não gosto do gênero Musou, onde você encarna um personagem bem poderoso e sai destruindo diversos inimigos até chegar nos comandantes do exército. CdZ mudou isso, pelo menos ser fã e poder distribuir os golpes do animê ultrapassaram qualquer preconceito que eu tinha. Falta fechar as novas histórias que abriram com o fim da campanha principal. A dica é evoluir os cavaleiros fazendo os desafios.
Naruto Shippuuden Ultimate Ninja Storm 2 (PS3) – Não consegui jogar o Shippuuden de PS2 por causa das quests do modo história. Nesse, as quests até foram suportáveis, mas sinto falta da época dos de PS2 da época antes do Shippuuden, quando você só precisava lutar, sem ter que passar por quests FEDEX…
Call of Duty Modern Warfare 3 (PS3) – Por mais que eu reclame da linearidade e da jogabilidade, adoro a forma como a história é contada. Modern Warfare 3 fecha muito bem a trilogia.
Double Dragon Neon (PS3) – Revival de um dos melhores beat-em ups da geração 8-bit, feito pelo pessoal estupendo da WayForward. Se tem um estúdio que eu gostaria de trabalhar sem dúvidas além da Naughty Dog, são eles! Tirando a lentidão dos personagens que é estranha no início, o jogo flui muito bem.
The Simpson Arcade Game (PS3) – Foi especial para mim, o primeiro (e talvez único? Não lembro…) jogo de arcade que zerei, em Cabo Frio, com uma galerinha do metal que morava no prédio onde estava passando as férias. E eu só tinha uns 4 ou 5 anos…
Oniken (PC) – Indie brasileiro que traz em meio à sua dificuldade Nintendo-hard preciosas homenagens a jogos como Ninja Gaiden e Vice: Project Doom. Vale a pena comprar na Desura enquanto não sai no Greenlight do Steam.
Hotline Miami (PC) – Particularmente eu não dava nada nesse jogo até o Protasio praticamente me forçar a jogá-lo. Daí não sosseguei até fechar o jogo e pegar seu final verdadeiro. Muito bom como experiência catártica e vale como uma crítica à violência nos jogos.
Mega Man IV (PSP) – Mega Man é uma série muito querida para mim. Basicamente, moldou meu caráter como jogador e é uma vontade minha fazer meu próprio Mega Man. Ter conseguido zerar o IV com pouca dificuldade foi vencer um trauma da infância!
Double Dragon (iOS) – Depois de fechar o Neon no PS3 com o Ninja Inimigo, precisava de um retorno ao modo antigo. Eis que joguei a versão remasterizada do primeiro no iPhone, um port da versão de Game Boy Advance. Bem fácil…
Manos – The Hands of Fate (iOS) – Baseado em um filme muito ruim com baixo orçamento e que o único ator que recebeu alguma coisa foi o cachorro, que ganhou ração, foi um bom shooter de plataforma com dificuldade Nintendo-Hard. Tirou algumas noites minhas para fechá-lo.
Resoluções 2013
Final Fantasy IV Complete Collection (PSP) – Uma das minhas grandes dívidas com a série Final Fantasy e a Square foi ter jogado várias encarnações do FFIV e nunca tê-las fechado. Dessa vez não tem como deixar passar, a menos que compre a versão pra iOS…
Final Fantasy Tactics: War of the Lions (PSP) – Outra dívida com a Square. Já tinha até comprado a versão de PSOne para o PS3 quando saiu a War of the Lions, remake com cenas em animê para PSP. Recentemente saiu de graça na PS+ par PSP e Vita.
Uncharted 3 (PS3) – Estou enrolando, ganhei de Natal em 2011, passei 2012 inteiro tentando arranjar tempo pra jogar direto e quase o fiz agora no final de 2012, mas a viagem pra Jaconé contribuiu pra procrastinação do Uncharted 3. Já tem até a versão GOTY por aí…
L.A. Noire (PS3) – Comprei porque gostei quando joguei na casa do Protasio e ainda não passei da primeira cena. Ficou ali no canto esperando o tempo certo de jogar.
Metal Gear Solid HD Collection (PS3) – Para quitar minhas dívidas da época do PS2 e de não ter comprado o de PSP. Já estava no finalzinho do Metal Gear Solid 2 quando o PC perdeu tudo. O Metal Gear Solid 3 já estava avançado no PS2 mas tem tempo que não tenho tempo (LOL) de jogar em Resende.
To the Moon (PC) – O Ninja Inimigo está quase desistindo de gravar o cast de To The Moon no Baixo Frente Soco porque a gente tá enrolando pra jogar. Essa dívida será paga!
Little Big Planet 1, 2, PSP (PS3/PSP) – Dívida!!! Preciso terminar esses e abrir caminho para os colecionáveis que podem ser usados nas iterações mais recentes, como o Karting!
Diablo 3 (PC) – Assim que chegar o computador novo instalarei e me colocarei em exílio para terminá-lo, já que meu antigo laptop (agora uma sucata que corrói qualquer HD…) não conseguia rodá-lo. Nem gastei dinheiro com o Diablo 3, ganhei a cópia num quiz que a Ideais fez na faculdade. Cheguei até a comprar o Book of Cain e o romance A Ordem (que entrará na lista de resoluções de leitura para 2013).
Shantae – Risky’s Revenge (iOS) – O jogo é bem interessante, um Metroidvania feito pela WayForward que merece uma boa dedicação. Comecei a jogar na fila do banco e infelizmente acabou parado em meio a outros jogos mais rápidos de celular. Meu respeito pela WayForward me compele a terminá-lo.
Portal 1 e 2 (PC, PS3) – Porque eu sou muito, muito feio de não ter jogado Portal ainda, e nem tenho mais desculpa de não jogar o 2 no PC porque rodava lento, já tenho no PS3…
E a vez do leitor!
E vocês, caros leitores que passam por aqui quando tem post, o que zeraram em 2012 e o que pretendem zerar em 2013? Jogar todos nós jogamos vários jogos e acabamos abandonando uns e outros pelo meio do caminho, há uma forte oferta de jogos e muita demanda de tempo para terminá-los. Quais valeram a pena dedicar esse tempo e esforço?
Hotline Miami
Pensa em GTA Vice City ou aquele seriado Miami Vice. Pensou? Lembrou da estética da Miami retratada nessa época, do neon, da violência? Vamos focar na violência. Vamos pensar em um jogo 2D onde você MATA TODO MUNDO da maneira mais sanguinolenta possível. Estamos juntos? Ótimo, podemos começar.

Hotline Miami certamente é um jogo que impressiona. Feito no Game Maker em 2D, facilmente poderia ter sido lançado em 3D e chamado de uma cópia do jogo do Punisher que saiu há um bom tempo, mas acima de tudo, é um jogo que te prende pela história e não apenas pela violência gratuita. A trama envolve seu personagem, um Zé qualquer, relembrando momentos da vida que o levaram até onde ele está neste momento, conversando com 3 figuras estranhas, homens usando máscaras de animais, provocando-o se ele gosta da violência e porque ele fez tudo aquilo. O jogo acontece nessas lembranças e mais a frente.
Você recebe uma ligação com uma missão contada de forma eufemística. No grosso, você é contratado para matar. Matar. E também matar. Um rápido tutorial ensina os controles do jogo e pode acabar sendo ignorado pela quantidade de diálogos (perdendo dicas como a mira travada… minha vida teria sido mais fácil com ela…). Com uma visão top-down, você invade as casas, clubes, escritórios e promove a matança com armas coletadas no local, usando uma máscara para proteger sua identidade. A criatividade na matança é incentivada não apenas com a resposta visual de gráficos pixelados, mas com pontuação. Ser stealth e limpo não necessariamente é a melhor coisa nessa questão de pontos, deixe isso para Hitman. Em outro dia, outra ligação, e os jornais espalhados pela sua casa vão reportando os acontecimentos.

Conforme o avanço do jogo, mais armas são liberadas para você exercer seu ofício, indo de garrafas de cerveja a afiadas lâminas orientais e uzis. Coisas do cenário, como tacos de sinuca e portas, também são usadas para desarmar e trucidar seus inimigos (ou deveríamos chamar de alvos?). Máscaras que garantem poderes diferentes também são presenteadas ao jogador ao cumprir uma certa pontuação ou encontrá-las pelas fases.
Entre cada missão há um nível ligeiramente perturbador. Você encontra um mesmo personagem em diversas situações e com profissões diferentes, indo de caixa de locadora de vídeo a caixa de pizzaria, sempre com um diálogo enigmático que combina com a trilha sonora psicodélica. Esses momentos avançam a narrativa do jogo, explicando mais sobre o seu personagem, mas ainda deixando a cargo da interpretação do jogador o entender da história.

É difícil falar do desenrolar do jogo sem ameaçar spoilers, mas podemos trabalhar da seguinte forma: há o óbvio turning point na trama (que deve ser mais óbvio ainda para quem está acostumado com thrillers psicológicos) e o jogo continua após seu final (pegando as bolinhas roxas piscantes espalhadas por algumas fases você chega ao “verdadeiro final” – dica: use a máscara da coruja pra ficar mais fácil encontrá-las), mostrando uma outra visão dos eventos.
Deixando as discussões sobre a crítica à violência excessiva nos jogos que o jogo promove e as teorias sobre a história do jogo, Hotline Miami prende pela sua dificuldade mais que pela violência gráfica ou narrativa subtextual bem construída. Uma invasão mal calculada a uma sala põe seu plano a perder e lá se vai mais uma vida, recomeçando a fase. As diferentes combinações de armas permitem a criação de variadas estratégias para eliminar os adversários, uma experiência realmente catártica quando é sua terceira tentativa de matar o cabra. Embora o jogo seja finalizável em uma tarde, o marinheiro de primeira viagem pode se ver apertando o R (tecla que reinicia o nível após a morte) muitas vezes.
Para aqueles que querem uma análise mais detalhada sobre a importância do Hotline Miami na questão da discussão da violência, recomendo este blog post do Gamasutra, mas é recomendável ter jogado antes de ler, já que o jogo inteiro é discutido do início ao fim.
Outro ponto positivo foi a forma como os desenvolvedores trataram os piratas do Pirate Bay. Ao invés de pedirem a remoção do torrent, pediram para atualizarem com os patches mais novos, de modo que quem não comprou pudesse experimentar o jogo com as correções.

PS:
Embora eu goste muito dessas discussões sobre motivação, controle e subtexto em jogos, às vezes me parece que o foco do jogo é perdido. Parece que a intenção do autor era realmente essa crítica a tudo que entendemos como seguir regras no jogo, sobre quem realmente gosta da violência, mas em certos momentos esse tipo de análise fica com cara de discussão de literatura para vestibular: você escreve um livro por escrever, só pra contar uma história, e de repente surge um bando de gente dizendo que você faz alusão e críticas a comportamentos da sociedade, que deve ser visto como um gênio representante de uma nova era na literatura.
Às vezes tenho vontade de fazer um jogo bem louco sem nenhum subtexto ou crítica só pra ver o que vão falar dele e depois aparecer em público mandando: “Não gente, pára, vocês estão loucos, não quis dizer nada disso”. Parece que não se pode mais fazer jogos independentes apenas pelo prazer de fazer, deve existir alguma motivação maior ou crítica à sociedade ou política por trás…
Toe Jam & Earl
Uma das melhores coisas que fiz foi comprar um HD de 500 GB pro PS3. Outra foi pagar a anualidade da PSN Plus. Além dos jogos que você recebe mensalmente (ex: Little Big Planet 2, King of Fighters XIII, Quantum Conundrum, Final Fantasy Tactics: War of the Lions), há descontos nos outros jogos. Um desses descontos que aproveitei foi o de Toe Jam & Earl.

Lançado originalmente para Mega Drive e agora disponível na PSN e no Steam, com jogo multiplayer local e via rede, Toe Jam & Earl é um dos clássicos da Sega. No jogo, você controla dois alienígenas rappers que acabaram colidindo com a Terra, deixando-a em pedaços, bem como sua nave. Para voltar pra Funkotron, seu planeta natal, você precisa recuperar os pedaços da nave, espalhados pelos pedaços da Terra. Na época, não sabendo pronunciar os nomes, eu chamava de jogo “do Pão e da Salsicha”. Caramba! Um é vermelho e alongado, o outro cheio e amarelado (e na capa segura um cachorro quente)!
Só que não é tão fácil quanto parece: os habitantes da Terra (cupidos, dançarinas havaianas, nerds, donas de casa e mostros invisíveis – buga buga buga!) são loucos e farão de tudo para atrapalhá-lo. Galinhas se unirão disparando morteiros de tomate em você, cientistas loucos o espetarão com agulhas. Os próprios biomas de cada fase atrapalham: lagos escondem tubarões e os desertos atrapalham seu deslocamento e escondem furacões mais chatos que o do mundo 2 do Super Mario Bros 3!

Para se proteger e cumprir sua missão, Toe Jam e Earl contam com diversos presentes perdidos pelo Papai Noel espalhados pelas fases, indo desde bóias salva-vidas a asas de Ícaro, que permitem voar por um curto tempo. Sim, você também pode usar tomates contra seus inimigos! O modo cooperativo permite que um amigo assuma o papel de Toe Jam ou Earl e o ajude (ou por vezes atrapalhe) em sua missão. Garantia de risadas e muita diversão!

A adaptação da PSN traz alguns troféus, alguns bem fáceis de alcançar, como o de descobrir a fase zero e derrotar o monstro caixa de correio. O jogo por si só é bem difícil, os controles não chegam a atrapalhar (a falta de testes mais focados com o grupo alvo naquela época é considerada hoje uma característica marcante dos jogos retrô), a mecânica de caça aos presentes e os mundos aleatórios tornam garantem a rejogabilidade do título. Seja no Mega Drive, seja no PC ou PS3, é uma boa pedida para jogar em dupla.
PS: Não falei do Bom Velhinho só porque o Natal se aproxima. Ele está por algumas fases remexendo seu velho saco e sabendo se aproveitar disso é possível roubar alguns presentes dele!

O novo futebol
Algo me preocupa nesse momento político que vivemos. Quando adolescente, defendi meus ideais, queria acreditar em um mundo belo e fantástico, em que o trabalhador oprimido teria voz e se ergueria da massa para ser dominante ao invés de dominado. O sonho morreu com a inocência do adolescente. A realidade da política se abria aos olhos que passavam a enxergar os fios que controlam o mundo e nada mais era belo e inocente.
Por algum tempo pensei: precisamos de heróis. Ter um herói em quem acreditar, em quem confiar, em quem depositar a esperança, etc., é algo que traz paz ao coração e à mente dos que se sentem oprimidos e desejosos de mudanças. Se não temos mais uma figura histórica ou religiosa por quem esperar, se não há mais um Dom Afonso Henriques que reunificar o estado Português, não há esperança para o povo. Assim fizeram-se “heróis” a ocupar esta vaga. E na queda desses “heróis”, quando seus podres vêm à mostra, inimigos da nação são feitos e novos heróis são necessários.
E é aqui que me preocupo. Elegeram novamente um herói, afinal, a placa de “Precisa-se de heróis” estava afixada em nossa grama. Trouxeram seu brasão ao peito, são uma única família sob uma mesma bandeira, sob uma mesma causa: eliminar a escória que tomou o poder. Dedicam seus dois minutos de ódio ao feito inimigo público, tal qual Orwell nos mostrou, expoem os podres dele, xingam, apedrejam, transformam cada aparição do mesmo na vinda do anti-Cristo. Afinal, não pode haver um herói sem um mal ser derrotado.
Quando decidi retornar ao mundo de que me afastei pra cuidar da minha senda acadêmica, deparo-me com fanáticos extermistas, ansiosos pelo seu herói declarado. Fanáticos. São apaixonados e não estão errados por se deixarem levar por paixões assim, nada que não esperaria de adolescentes. Resolvi aquietar e não os criticar, afinal, adolescentes estão cegos pelo seu coração que tapa os olhos e cala os ouvidos com seu brado forte e retumbante.
Retorno ao meu abrigo do mundo externo, abrigo este que será violado pelas escolhas que farei e que outros farão, tanto os adolescentes quanto os guiados pelo cabresto. Porém, reservo-me o direito de anotar o nome daqueles que expulsaram dos pulmões o berro por seu herói.
Em 2 anos, indaga-los-ei se valeu a pena. Se não valeu, quero ver como se comportam, se estão indignados, se mentem sobre sua escolha, como terão amadurecido esses adolescentes. Se valeu, não há porque se exaltarem contra os que duvidaram de sua fé, afinal, todos teremos ganhado com isso.
Cave Story+

Cave Story (Doukutsu Monogatari) começou como um jogo feito por uma pessoa só, o autor japonês Daisuke Amaya, mais conhecido como Pixel. Lançado em 2004, ganhou tradução para inglês e conquistou a cena indie, sendo posteriormente lançado na WiiWare, na Steam (em sua versão “plus”, com melhorias nos gráficos, ainda mantendo o estilo retrô) e agora com lançamento para o 3DS.
Para evitar spoilers, vamos assumir que o jogador toma o papel de um garoto que inicia sua aventura dentro de uma caverna, desarmado. Algumas cutscenes nos próprios gráficos do jogo vão avançando a história conforme o jogador resolve as quests dos personagens que encontra. A história pode ser resumida da seguinte forma: os Mimiga, uma raça que aparenta ser coelhos ou cachorros humanóides mora dentro dessa caverna. O problema é que os Mimiga estão sumindo, sendo sequestrados pelo Doutor para nunca mais serem vistos. A chegada de uma Mimiga que não é da vila traz problemas, já que ela entra em conflito com King, o protetor da vila que encontra-se submisso às ordens do Doutor por não conseguir ir contra ele. Poderá o jogador ajudar Sue, King e os outros Mimiga contra o malvado Doutor e seus motivos obscuros?

O jogo foi considerado o melhor jogo de SNES(!) nunca lançado justamente por suas mecânicas de plataforma 2D que agradam quem gosta da jogabilidade old-school, bem ao estilo Metroidvania com toda a exploração e side quests. Começando com uma pistola Polar Star, o jogador tem a possibilidade de adquirir novas armas, trocar armas velhas por novas, conseguir equipamentos que ampliam sua locomoção como jetpacks e bolhas de ar para respirar na água. A decisão de pegar alguns itens (e itens secretos!) influencia no desenrolar da história e abre novos modos de jogo (como por exemplo, o Curly mode, quando você pega a calcinha da Curly Brace).

Os NPCs são bem carismáticos: King a um primeiro momento parece que será um problema, mas o desfecho de sua história é bem legal (com um ótimo legado, bem sacado); Balrog e Misery, inimigos recorrentes, têm cada um seu charme e sua ligação com o herói principal (coisa que é revelada nas cutscenes, mantendo o jogador no escuro, nos fazendo querer saber mais sobre a história do mundo de jogo a medida que sabemos da história anterior).
Com 4 finais diferentes (até agora só consegui 2, o ruim – que você consegue no meio do jogo – e o normal), os outros finais são acessíveis com os itens certos e atitudes certas durante o jogo. Aliados a personagens que aparecem mais ao final do jogo, como a Família Pequena, adicionam side quests que aumentam a vida útil de Cave Story, fazendo com que o jogador reinicie partidas para completar os objetivos.
Cave Story+ pode ser adquirido no Steam para PC e Mac, no Desura para PC, Mac e Linux e gratuitamente para PC, Mac e outros como PSP, mas na versão antiga, sem gráficos e músicas remixados, no site tributo.
Double Dragon Neon
A Wayforward, que vocês já conheceram lendo esse post aqui, nos presenteia com outra obra-prima dos remakes, desde seu Contra 4 para DS: Double Dragon Neon, para PS3 e XBox 360.
Double Dragon Neon é um remake do jogo de 87 que fez sucesso nos arcades e no NES (além de outras plataformas, como pode ser visto nesse vídeo). Na história original, os irmãos gêmeos Billy e Jimmy Lee, lutadores do estilo Sousetsuken, devem resgatar a namorada de Billy que foi sequestrada (na frente da garagem deles) pela gangue dos Shadows Warriors de Machine Gun Willy. O problema é que Jimmy também é apaixonado por Marion e ao salvá-la, os irmãos devem duelar para decidir quem fica com a garota.

Neste remake, Marion também é raptada (ao que os irmãos Lee exclamam “Not again!”, em referência aos 3 jogos originais, em que Marion sempre era raptada – mesmo depois de entrar pra polícia no terceiro – e virava o motivo do jogo), só que o inimigo é outro: Skullmageddon, um vilão que não se leva a sério, sendo uma caricatura dos vilões da década de 80, talvez sendo espelhado no Skeletor do He-Man, por sua risada e mesmo o final do jogo é hilário. Skullmageddon consegue ser mais carismático que muito vilão old-school. O modo para 2 jogadores é essencial para o jogo, permitindo que os irmãos Lee se ajudem através de um high five, compartilhando vida e energia para os golpes.
Referências à década de 80 é que não faltam. As fitas que dão poderes aos irmão Lee e podem ser upgradeadas até o nível 50 (dependendo de mithril coletado ao derrotar os chefes para passar os limites) e os poderes referenciam os que os irmãos aprendiam ao subir de nível nos jogos antigos. Na fase do dojo-foguete, o chefe Mecha-Biker é baseado no Mega Man (só ver as artes conceituais e o corredor que antecede a luta. O próprio air guitar ao final das fases é uma referência à moda da época, como podemos ver em Bill & Ted e a manobra do soco de uma polegada, característica do Bruce Lee. Os irmãos inimigos Bimmy e Jammy são baseados em um erro de tradução do Double Dragon 3 de NES.
A música, talvez a maior referência da série ao retratar a moda dos anos 80 e atualizar as músicas dos dois primeiros jogos, é muito bem escritae executada, indo do metal farofa ao eletro pop e pode ser baixada gratuitamente (mas se gostou, aumente o valor e contribua com o artista) e oficialmente neste link.
No geral, por algumas características das mecânicas do jogo, em que os golpes e a movimentação são um pouco lentos e travados, além de ser bem rápido, podendo ser fechado em 3 horas em uma jogada, Double Dragon Neon é recomendado para os fãs de longa data da série. Há a versão demo para ser baixada e testada antes de se decidir se vale a pena comprar.

A franquia foi tão famosa que seu primeiro jogo alcançou diversas plataformas, ganhou um filme dispensável e um desenho animado, além de alguns spin-offs, como um jogo de luta e um crossover com Battletoads. Até o lançamento de Double Dragon Neon, a última novidade sem ser remake de Double Dragon foi a versão Super Double Dragon para SNES, que não chegou a ser devidamente finalizada e é o patinho feio da saga. Não deixe de conferir o jogo de fãs Abobo’s Big Adventure.
5 Jogos Marcantes
Indicação do Ludobardo (original de Game em Pauta), aceitei participar dessa “corrente” ou meme de *logs. Nesse meme, enumeramos cinco jogos que foram marcantes para nós.
1 – Mega Man III
A série Mega Man tem toda uma conotação especial para mim. Embora na infância eu tenha apenas alugado os jogos, foi um jogo que marcou tanto pela jogabilidade, pelo tema e pelas músicas quanto pelas conversas que tive com amigos no recreio da escola, discutindo a nova iteração da série (Mega Man IV, recém lançado na época). Em especial, destaco Mega Man 3, um dos primeiros jogos que zerei, embora usando senha e revista e com o final em japonês, sem entender o que Light falava. A música do Protoman no final é pra fechar com ouro!
Foi adolescente que pude finalmente comprar o cartucho de SNES de Mega Man X e poder zerá-lo direto, sem usar senhas pra pular fases, já que o costume ao alugar cartuchos era levar uns 2 ou 3 e passar o final de semana jogando. A série spin off do X trouxe uma maturidade maior no tema tratado por Keiji Inafune. Uma pena que só fui acompanhar os outros quando comprei a coletânea para PS2.
Mega Man 7 trouxe as histórias mais leves do Blue Bomber ao SNES, com aquela dose de humor e descompromisso com a seriedade, embora o final do jogo tenha uma carga emocional pesada. Como sempre, as músicas se destacam, em especial na introdução do jogo, que termina com a luta contra Bass.
2 – Super Mario Bros III.
Não tem como não botar Mario ou Sonic numa lista dessas. Por ter começado com um Phantom System, minha escolha é o Super Mario. Embora o Super Mario Bros original tenha me introduzido a este mundo e seja utilizado até hoje como referência de como ensinar ao jogador tudo que ele precisa para jogar o jogo inteiro, Super Mario Bros 3 avançou o conceito, mostrando que o NES, à beira do lançamento do SNES, ainda tinha gás pra muito chão.
Pegando tudo que fez de Super Mario Bros um sucesso, a terceira instância direta da série introduziu coisas como: roupas de tanooki, racoon e sapo; os barcos voadores e suas fases em scroll automático; a luta épica contra os filhos do Bowser e o mesmo no final, variando a ponte levadiça dos primeiros jogos (não contando o Super Mario 2 americano).
Embora Super Mario World tenha trazido novidades interessantes, como o Yoshi e novos inimigos, muito pouco das mecânicas foi alterado. O vôo existe como no Super Mario 3, mas a peninha traz um esquema de controle diferente. O novo pulo rodopio, que serve para evitar alguns inimigos que matam ao contato com o pulo normal, também é uma boa novidade. Mas o fato de ser o primeiro Mario de SNES, sem algo com o que comparar a não ser iterações anteriores da série em uma plataforma menos potente, não causa a mesma impressão de evolução dentro das mesmas condições.
3 – Super Contra / Contra 3 – The Alien Wars (não consegui me decidir)
A série Contra, da Konami, trouxe para os consoles a mesma experiência que suas versões de arcade. O Super Contra de NES é realmente super e não apenas um Contra 2: consegue melhorar tudo o que o Contra original trouxe. A história deve ser deixada de lado, ainda mais com a confusão trazida pela localização para o mercado ocidental, o que importa é a diversão da dificuldade (e pode crer, o jogo é bem difícil até ser dominado).
No SNES, Contra 3 ampliou as possibilidades com as bombas para destruir todos os inimigos da tela e com duas armas ao mesmo tempo. Os inimigos gigantes e as fases com vista de topo também foram beneficiadas pelo Mode 7 do SNES, com efeitos de zoom no início das fases de topo e quando o chefe gigante salta e cai na mesma. A dificuldade é até maior e os chefes usam bem as novas mecânicas.
Além disso, a série Contra sempre foi ótima no multiplayer coop local. As novas iterações, como o Hard Corps: Uprisign, trazem o coop via internet, mas mesmo Hard Corps não tem o mesmo charme e velocidade de Contra 3, e o Contra 4 da Wayforward (que está fazendo o novo Double Dragon e fez a série Shantae) é difícil até demais (ou um prato cheio pra quem gosta disso).
4 – .hack//G.U. 1, 2, 3
Da Bandai, um projeto multimídia como Star Wars foi para George Lucas, a série .hack começou com um anime (.hack//Sign), teve mangás, romances e jogos para PS2, PSP e PC. No PS2, duas instâncias ocorreram: uma seguindo os eventos do .hack//Sign e antecedendo .hack//Twilight Bracelet, em um jogo de 4 dvds vendidos separadamente, e outra com os eventos no The World 2.0, alguns anos após os eventos da série principal, após o anime .hack//Roots.
The World é um MMORPG criado por uma companhia com uma história sombria por trás. O principal programador, um homem apaixonado por uma mulher que cria uma filha para eles na forma de uma inteligência artificial, com uma mãe artificial cuja existência era só para criá-la até que estivesse madura. A história é bem complexa e envolve pessoas entrando em coma no mundo real enquanto ficam presas no MMORPG pela ação de uma inteligência artificial fujona e rebelde.
No .hack//G.U. para PS2, você joga com Haseo, antigamente considerado o maior matador de PKs (jogadores que matam outros jogadores), até que teve seus poderes drenados por Tri Edge, que havia colocado uma amiga sua em coma. É o que posso dizer da história sem spoilar uma história excelente e emocionante em 3 jogos. Uma pena que no segundo jogo você já fica cansado da jogabilidade com pouca variação. Há muitas side quests, inclusive após o fim do jogo, e interação com os outros jogadores do The World, através de fórums e private messages.
5 – Ultima Online
Foi o primeiro MMORPG que joguei, isso em 2000, num servidor “alternativo” da minha cidade. Depois disso, nunca encontrei um MMORPG que conseguisse juntar tudo o que Ultima prometia. A promessa de aventuras e viver uma outra vida de Ultima só era realmente possível em alguns servidores que implementavam o conteúdo oficial do jogo, já que as versões “livres” dos servidores eram problemáticas e na maior parte dos casos, os administradores criavam tantas inovações que introduziam muitos bugs.
Alguns desses servidores instituíam a obrigatoriedade de criar uma história e interpretar o personagem, muito embora os jogadores cansassem da interpretação forçada e impositiva de alguns jogadores e passassem a ficar mineirando em Minoc, matando homens-lagarto e correndo de PKs até chegar em Britain. Embora o vídeo retrate uma nova encarnação do UO, as versões antigas, sem recursos dependentes de placas gráficas, ficaram em nossas lembranças e são revividas nos shards privados.
E chegou a sua vez!
Continue com esse meme/corrente. Deixe nos comentários sua seleção de 5 jogos marcantes ou o link para um post do seu blog, vlog, tumblr, etc. Visite os vlogs do Game em Pauta e do Ludobardo e contribua também. Quais foram 5 jogos marcantes para você?







