Andróides sonham com ovelhas elétricas?

BladeRunner-Pôster

Nos últimos 4 anos, Andróides sonham com ovelhas elétricas? deve ter ficado em primeiro ou segundo lugar como livro que li mais rápido. Umas duas semanas desde que resolvi pegá-lo de fato para ler, não levo em conta a data da compra como o dia inicial. Considerando que tenho uma leitura em curso desde 2010, várias revistas, mangás e livros-técnicos na estante esperando sua vez, acho que foi um recorde. E não foi por acaso.

Minha iniciação aos romances cyberpunk foram com a trilogia do Sprawl, do Gibson, que já comentei aqui. Embora o terceiro livro tenha sido o que mais me deixado desmotivado para terminar, foi uma leitura que gostei. O que me lançou a esse mundo foram duas antologias de contos brasileiros de ficção científica publicadas pela Devir e o meu gosto pela estética cyberpunk. Mas algo que me deixava meio de pé atrás com esse livro de Philip K Dick era o fato de ter começado a ver o filme Blade Runner, de Ridley Scott, ficado sonolento e deixado pra terminar outro dia. De fato esse dia chegou, mas foi só no final da primeira semana depois de ter começado a leitura do livro.

Já havia lido que ambos eram trabalhos diferentes, apesar de compartilharem personagens e situações, havia diferenças no roteiro. A versão publicada pela Aleph, a mesma dos livros do Gibson, traz uma entrevista com o autor, uma carta escrita por ele após ter visto cenas do filme, que nunca chegou a ver a versão final por ter morrido em decorrência de um AVC, e um posfácio que explicita as diferenças entre filme e livro. Embora o filme de Ridley Scott tenha suas cenas memoráveis, diálogos que nos fazem refletir e uma estética bem agradável (para os que gostam de cyberpunk), a discussão sobre humanidade no livro é mais acentuada, primária e, na minha opinião, faz do livro um produto melhor que o filme.

androides

De forma resumida, a trama se dá em uma terra pós-apocalíptica, onde Rick Deckard é um caçador de recompensas que elimina andróides ilegais que voltam à Terra vindos das colônias planetárias. O modelo Nexus 6 (esse livro serviu de inspiração pra linha de celulares Nexus do Google que usam o sistema operacional…. Android. Tanto que é por isso que nunca existirá um Nexus 6. Boa sacada, pessoal!) traz dificuldades na aplicação do teste de humanidade usado por Rick, complicando seu trabalho, mas a maior complicação vem na discussão do que é ser humano, o que é ter vida.

Segundo o teste Voight-Kampff aplicado por Rick, a empatia é o que separa humanos de andróides, além de fatores como a força e agilidade (mais desenvolvidos no filme Blade Runner) e o tempo de vida reduzido, um tipo de obsolescência programada, principal motivador do filme. No livro, a motivação é os androides entenderem o que é a empatia, por que humanos a tem e conseguirem ser reconhecidos como humanos, o que não vou explicar para não estragar o plot do livro. Há outras subtramas que se encaixam com a principal e a enriquecem, tecendo comentários sobre estruturas seculares e religiosas de nossa época, como o vício nas caixas de empatia, a demonstração das aparências em se ter animais, mesmo que falsos, e a adoração da figura do redentor, coisa bem comum na literatura cyberpunk.

Embora publicados em mídias diferentes, que exigem tratamentos e enfoques diferentes, a minha opinião é de que, nesse caso, o livro consegue passar uma mensagem mais interessante que o filme. As críticas sociais e a discussão filosófica sobre ser humano se perdem para a busca e loucura de Roy Baty, no filme majestosamente interpretado por Rutger Hauer, no livro uma figura de certo modo ainda assustadora, mas não do mesmo jeito do filme, como um estrategista, mas tomando as vestes de um Moisés que busca levar o seu povo para uma terra prometida, em busca de uma experiência mística. Embora o diálogo final entre Roy Baty e Rick Deckard, no filme, seja algo memorável e melhor trabalho que o que aconteceu quando Deckard e Baty finalmente se encontram no livro.

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#RPGaDay – Dia 28 – Jogo mais amedrontador que já jogou

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 28 – Jogo mais amedrontador que já jogou

Como já disse por várias vezes nessa série do #RPGaDay, joguei muito pouco RPG, tendo assumido mais o manto de mestre. Quando estávamos no colégio e era uma época entre-safras, após algumas aventuras de D&D ou AD&D e antes da minha campanha principal de AD&D, tinha sempre um livro ou revista na mochila com um sistema de regras. A bola da vez era Trevas, a primeira versão, em formato de revista. Era fácil de carregar, simples de explicar e com menos furos e repetição de texto que as versões posteriores dos jogos da Daemon, afinal, ainda era a primeira edição, vindo logo depois de Arkanun. Na verdade, o sistema de regras nem importava muito pra esse caso, mas ajudava a dar o tom de mistério e terror quando os jogadores viam a capa e sabiam que podiam enfrentar forças sobrenaturais.

Algumas vezes ocorria de termos aula no sábado. Era coisa como matéria adicional que a professora precisava passar para quem fosse fazer prova para outro colégio, já que o nosso terminava na oitava série (lembre-se que estou falando de uma época anterior à reforma que adicionou o nono ano), ou para compensar a ausência por viagem ou doença de alguma professora. Era quando eu resolvia testar as aventuras solo com meus jogadores. Não havia texto preparado, nem uma ideia de como começar e terminar na minha cabeça. Deixava a coisa rolar baseado no que o jogador reagia ao mundo. Geralmente eram histórias de mistério quase sem pé nem cabeça, afinal, não precisaríamos dar explicações melhores, era uma aventura one-shot solo… O Igor foi minha primeira cobaia. Mas a segunda cobaia que teve resultados mais interessantes.

Partindo dessa ideia das aventuras one-shot solo sem muito rigor, resolvi mestrar em uma dessas faltas de professora. Acabou que não só o Daniel, mas o Igor e Daniele se juntaram. Era uma aventura de zumbi padrão, coisa de misturar a USP descrita no suplemento Temporada de Caça com Racoon City. E funcionava. A invasão zumbi começou em um laboratório da USP, alunos estavam sumindo, professores pareciam cada vez mais arredios, e no meio dessa confusão estavam os jogadores. Estar fora de seu campo de conforto, como heróis medievais, e jogados na mortalidade de pessoas comuns que por acaso poderiam ter uma arma contra algo que pode nem ser machucado deixava os jogadores apreensivos. Cada esquina dobrada podia ser a última. O uso de armas de fogo podia atrair atenção indesejada, e se fosse coisa dos militares? E se não há mais seres humanos vivos lá fora e perdemos o fim do mundo aqui dentro? Muitas dúvidas, muita apreensão.

A aventura acabou sendo interrompida pelo horário da próxima aula, mas meu prêmio viria no momento em que o Daniel voltava do corredor onde fora beber água e disse que tinha tomado susto com um senhor que encontrara por lá, dada a tensão da aventura que havia acabado de jogar. Só pude rir e me dar por satisfeito de termos criado uma boa história que repercutiu na vida real.

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#RPGaDay – Dia 27 – Jogo que gostaria de ver uma versão nova ou melhorada

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 27 – Jogo que gostaria de ver uma versão nova ou melhorada

Há um jogo nacional que tenho um gosto pelo tema tratado: Invasão. Em meio às raças alienígenas criadas pelo Marcelo Cassaro (traktorianos e metalianos), havia os seres humanos, fracos sacos de carne, impotentes. O clima do jogo era que você, humano comum, era jogado em meio a conspirações governamentais que buscavam esconder a presença alienígena em nosso planeta, bem no clima de Arquivo X. A diagramação do livro ajudava a dar o tom. Para quem não tinha acesso a Conspiracy X, esse era o jogo de RPG de alienígenas. O sistema de regras era o Sistema Daemon, na época chamado de Arkanum/Trevas ou mesmo Só Aventuras, já que era oferecido como sistema em algumas revistas Só Aventuras especiais.

capa-invasao

Quando veio o relançamento versão 3.5, uma tentativa da Daemon embarcar na onda do D&D 3.0/3.5, forçando renumerações do sistema, o clima mudou. Era sabido que os aliens estavam entre nós e os jogadores não eram mais meros investigadores ou pessoas comuns desprovidas de poder, mas agentes capazes de enfrentá-los usando cibertecnologia e coisas do tipo. O NORAD não era mais o inimigo que tentava te proteger da verdade, você era o NORAD. O clima do jogo que o deixava legal morria ali. Uma nova edição, como cenário para uma nova edição do sistema Ação!!! (uma tradução e adaptação do SRD do d20 Modern) chegou a ser prometida, mas com seu cancelamento, a parte de Invasão que já tinha sido publicada em revista foi disponibilizada online.

Dito isso, Invasão é um jogo que gostaria de ver novamente naquele clima de Arquivo X, embora possa ser que o zeitgeist não seja mais favorável a um RPG nesse sentido. Era uma época propícia, havia casos como o ET de Varginha (que fez muita gente ter medo de barulhos na casa à noite) e o próprio seriado do Arquivo X era uma febre (em seus termos) que passava toda sexta-feira na Rede Record. Talvez hoje Invasão assumisse outra roupagem, talvez continuasse no esquema de Heróis contra Aliens, como foi o suplemento UFO-Team para 3D&T e sua versão 3.5 pela Daemon e o saudosismo pela antiga versão seu único reflexo em nosso tempo.

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#RPGaDay – Dia 26 – Ficha de personagem mais bacana

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 26 – Ficha de personagem mais bacana

Fato é que quando começamos a jogar, nunca nos preocupamos muito com as fichas. Eram feitas para serem descartáveis, como a vida de nossos personagens no início. Rabiscadas em folha de caderno no meio da aula para podermos usá-las no recreio, não havia muita necessidade de luxo. Quando fomos para AD&D, a coisa ficou diferente. A única fonte oficial de ficha que tínhamos era uma Dragon Magazine que mal podia ser xerocada sem ficar ilegível e impossível de escrever. Demorou até acharmos uma ficha em português sem as marcas da revista e apenas quando a Devir publicou 3 imagens gif (frente, costas, magia) da ficha oficial no site é que pudemos usá-las propriamente. Até lá era se virando com fichas em inglês ou fazendo nossas próprias no Word.

Conforme o jogo evoluía, a ficha ficava muito restritiva, precisávamos de mais espaço para anotações, background, poderes e as fichas básicas não supriam essa necessidade. Talvez com exceção de Vampiro, que possuía fichas específicas de clãs com bastante espaço, e D&D 3.5 que chegou a ter fichas oficiais específicas para cada classe básica. Quem dominava o Adobe Acrobat conseguia fazer belas obras de arte. Entre essas pessoas está o Mad-Irishman que possui umas das fichas mais limpas e completas que gostei de usar, ainda mais com o logo de Forgotten Realms, minha escolha de ficha até hoje: MI_DnDCharSheet2265Realms. Afinal, não adianta a ficha ter espaço pra tudo mas ser desconfortável de usar. Cheguei a usar essa do Claudio Pozas: pozas_character_sheet_rev, artista nacional operante no exterior, mas tinha pouco espaço, apesar de bonita.

Na última vez que joguei RPG, com um paladino de Mystra em Forgotten Realms, fui apresentado à ficha do Dyslexic Studeos. O site deles gera através de escolhas uma ficha voltada à sua classe e regras disponíveis, tanto para Pathfinder quanto para D&D 3.5.

Até os mestres possuem fichas, ou pelo menos fichas-resumo dos personagens dos jogadores, com seus dados mais importantes para não ter que pedir a ficha emprestada ou poder rolar alguma coisa em segredo. Para AD&D 2nd Edition, o finado site Os Últimos Dias de Glória apresentava uma ficha nesse esquema.

Em todo caso, o carinho especial fica para a ficha original de D&D da caixa da Grow. Era simples o suficiente para ter tudo que precisávamos e espaço para mais coisas. Ajudava o sistema ser bem simples. O pessoal que criou Lodoss War jogava com essa ficha, pelo que pude encontrar de scan na página do Facebook da revista Gygax Magazine.

lodoss1

lodoss2

DungeonsAndDragonsFicha

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#RPGaDay – Dia 25 – RPG favorito que ninguém mais quer jogar

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 25 – RPG favorito que ninguém mais quer jogar

Difícil dizer qual é o RPG favorito que ninguém quer jogar. Na época que mais joguei, quando mestrava AD&D, pensamos algumas vezes em passar a campanha para o D&D 3.5, mas desistimos em todas as vezes que pensávamos em converter os personagens. 3D&T foi um RPG que jogamos em momentos de descontração, então não entra nessa categoria. Resolvi então falar de um hack (não falávamos assim naquela época de AD&D que saiu na Dragão Brasil, trazendo aventuras no Velho Oeste (e não estou falando daquela mistura de fantasia com velho oeste que a Devir chegou a publicar): Cross.

d70

Cross foi uma modificação de regras e cenário ao mesmo tempo que foi lançado na Dragão Brasil 70. Aproveitando a base do sistema de regras do AD&D, suas modificações permitiam jogar com seres humanos normais habitantes do Velho Oeste que conhecemos nos filmes de bang-bang à italiana. Havia lido e estava fascinado, queria jogar, mas meus jogadores só queriam saber de continuar nossa campanha de AD&D (ainda mais que estávamos num ponto em que alguns personagens haviam morrido e precisavam sair da masmorra). Foi uma masmorra onde muitas mortes aconteceram e combinamos que se eles pudessem fazer personagens novos assim que abandonassem o local, jogariam Cross.

Não se divertiram tanto com uma aventura one-shot como naquele final de tarde.

Havia preparado os personagens na tarde anterior em folha de caderno à caneta, com um desenho de tambor de revólver para poderem marcar as munições gastas em tiroteio. Eram os personagens: um escravo liberto pistoleiro (Igor), um “padre” disfarçado na cidade (Diogo), um chinês recém-chegado na Califórnia (Daniel) e não lembro qual o personagem do Décio, acho que um matador de aluguel. A premissa era simples, havia um bandido na cidade que estava usando escravos indígenas para mineirar prata. Os jogadores tinham cada um sua motivação para estar ali e acabaram se encontrando aos poucos, separadamente e depois se juntando no saloon.

Foi o primeiro tiroteio contra os capangas do bandido. Tiro pra lá, tiro pra cá, balas pegando de raspão, prostitutas desmaiando com a confusão, o bandido pulando do segundo andar para fugir numa carruagem e… o Igor tirando um acerto crítico com o rifle. Houve discussão, pés foram batidos dos dois lados, mas o bandido acabou escapando com 2 pontos de vida e praticamente sem um dos pulmões. Arrumando cavalos, partiram atrás do local marcado no mapa que encontraram com um dos capangas, exceto o Diogo que resolveu pegar um trem. Quando viu que estava passando do ponto e o trem não ia parar tão cedo, viu a merda que fez e resolveu saltar do trem e seguir a pé.

Os outros já estavam se aproximando parar uma emboscada quando encontraram o falso padre perdido no deserto. Resolveram abandonar a discrição e usar dos clichês dos filmes. Três cavalos com quatro cavaleiros chegaram na entrada da mina, recebidos por dois jagunços. O silêncio se fez, junto ao sol do entardecer da Califórnia. A câmera mostrava seus olhos cerrados, o suor escorrendo com a tensão e a palha de capim sendo mascada. Iniciativa! Venceram e tiveram a oportunidade de sacar suas armas e dispará-las!

Eis que Igor tira um erro crítico. Daniel esqueceu de recarregar as armas. Diogo tentou se segurar no cavalo que empinava e Décio errou o tiro. Que fiasco! Os capangas revidaram mas como em um bom filme de faroeste, foram abatidos. A mina era uma masmorra padrão de AD&D, com suas armadilhas, índios correndo em meio ao tiroteio com os capangas e uma cena de desabamento quando os cowboys acertaram um barril de pólvora perto do bandido. Os índios estavam livres, nossos heróis limpando a poeira e cavalgando ao levantar da lua.

Todos gostaram muito da aventura, um desvio do tema de AD&D que estavam acostumados e uma diversão após uma tarde de mudanças no grupo. Não voltaríamos mais a jogar AD&D Faroeste. Aquela era uma aventura para ser lembrada, e não substituída.

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#RPGaDay – Dia 24 – RPG mais complicado que tenho

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 24 – RPG mais complicado que tenho

Enquanto alguns diriam que é GURPS, a versão Lite que tenho mostra que GURPS é tão difícil quanto queiramos que ele seja. Na verdade, é uma regra que vale para qualquer RPG. Mas entre os que eu tenho, há um que considero bem complicado.

Conheci o Anima: Beyond Fantasy pelo site da Fantasy Flight há um bom tempo. A Fantasy Flight só fez a tradução e publicação em inglês, o original é da Espanha, o que explica em parte as influências católicas na história do mundo do jogo e suas organizações políticas e religiosas. O jogo se vende como uma forma de papel e caneta de Final Fantasy, e o clima ao ler as regras, poderes, classes de personagens e raças é bem esse mesmo. Parece um JRPG em livro. Pelo sucesso que fez, derivou uma enorme linha de produtos: Jogo de miniaturas, card game e até um jogo em download para Wii.

Porém, achei uma leitura pesada. Muito foi colocado no livro básico, não apenas as regras, que por si só já são bem pesadas a um primeiro olhar, mas também a história do mundo base de Anima, descrições das estruturas de poder e reinos. Acabou que foi para minha estante da nunca-leitura, aguardando um vindouro dia que farei mais que dar uma folheada por suas belas páginas. Comprei também o escudo do mestre com aventura, já que prefiro ter uma aventura pronta quando vou experimentar um novo sistema.

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#RPGaDay – Dia 23 – Produto de RPG com a aparência mais bacana

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 23 – Produto de RPG com a aparência mais bacana

Quando pensei sobre o que escreveria no post de hoje, uma coisa já minha vinha à mente. Porém, enquanto estou aqui digitando essas palavras, penso em outros candidatos. Por exemplo, os livros dos Reinos de Ferro. Bem trabalhados, toda uma estética que define o clima do cenário, mas o fundo cinza pode atrapalhar um pouco a leitura. Pensei também em falar dos clássicos D&D ou Vampiro, com seu preto e branco, ilustrações simples mas que diziam muito com pouco, ou do One Ring, mas o pouco que li dele, apesar de bonito, não destronou ainda meu favorito.

changeling

E o que escolhi como RPG com aparência mais bacana pra esse post foi… Changeling! Especificamente a versão lançada pela Devir, ainda pela versão do Velho Mundo das Trevas. Não cheguei a ver a versão Novo Mundo das Trevas do Changeling, mas pelo que vi da versão de Mago, a antiga ainda deve ser a melhor.

Changeling é talvez o título do Velho Mundo das Trevas mais incompreendido. Em meio a Vampiros, Lobisomens, Múmias, Magos e Demônios, Fadas! Por ser totalmente colorido, é visto como o livro mais feliz da série. Porém, não é lembrado que os contos de fadas originais eram um pouco mais macabros e viscerais, foram deturpados ao longo do tempo para versão mais fofinhas e menos assustadoras. Fadas não são clones da Sininho. Fadas podem ser goblins asquerosos, trolls nobres ou mesmo exus vestidos em roupas do oriente médio.

Há também o fator psicológico, porque os jogadores são fadas em corpos humanos. Enquanto adormecidos, são pessoas normais, mas quando despertos em seu mundo povoado pelos sonhos recuperam sua forma original. É um jogo que lida com a perda da inocência, do tornar-se adulto e da busca pela recuperação dessa graça perdida. Vampiro lida com a perda da humanidade enquanto aprende a lidar com sua Besta interior. Changeling lida com a perda da inocência e criatividade frente à banalidade da vida moderna.

E se nos permitirmos um pouco de liberdade na interpretação de como Changeling ocorre, poderia tudo se passar dentro da cabeça dos personagens. Enquanto é um troll nobre empunhando uma espada e derrotando um dragão, está pulando e batendo gravetos contra o ar na vida real, possivelmente sendo visto por outras pessoas e taxado de louco, mas não pode deixar seu mundo de sonhos de lado, porque lá está algo que o impede de ser mais um zumbi sem emoções genuínas caminhando maquinamente pelo mundo, um robô.

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Dito isso, os sonhos estão bem representados em Changeling com uma bela diagramação e belíssimas ilustrações de Tony DiTerlizzi, que ilustrou também Planescape. O conto de abertura já dita o tom do jogo e o que podemos esperar, como toda boa produção daquela época da White Wolf.

Enquanto escrevia esse post, fui ler um pouco sobre a nova versão de Changeling. Descobri é ainda mais pesada, focando no lado de terror das fadas, na acepção original da palavra que se referia a humanos bebês trocados em seus berços por bebês-fada, que eram criados na terra das fadas e passavam por situações que somente suas mentes distorcidas permitiam considerar. Pode não ter ilustrações tão belas quanto a edição do Velho Mundo das Trevas, mas certamente é bem mais tensa.

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