Quando os dados surpreendem

fevereiro 21, 2015 Deixe um comentário

[SPOILER ALERT] Já aviso que o post tem spoilers pra quem ainda não jogou a aventura Que As Aventuras Comecem! de Old Dragon.

A última sessão da minha nova campanha de RPG (que vocês podem acompanhar aqui) foi surpreendente, e eu diria que em um bom (ou muito bom) sentido.

Havia preparado um grupo NPC que seria contratado pelo contratante dos aventureiros para eliminá-los. Na minha versão da aventura do Beltrame, Farfgard teria matado seu pai com um desabamento na mina da família abaixo da tumba e precisava dos aventureiros para resgatar o amuleto, já que temia que tivesse voltado como um morto-vivo. A traição aos aventureiros se daria pela influência de Mysia, a maga líder do Bando do Porco-Espinho, uma companhia mercenária.

Quando os aventureiros arrumaram confusão na taverna (e o bando do Porco-Espinho estava lá) e tinham meio que aceitado a proposta de Farfgard como a única alternativa a terem dinheiro, já tinha sido tudo engatilhado pra essa traição acontecer. Montei algumas fichas de grupos NPC para usar em encontros aleatórios e resolvi que o grupo da taverna seria o do Bando do Porco-Espinho.

Durante a luta contra o bando nas minas, após terem limpado o lugar, o pai de Farfgard, como um Atormentado, quebrou as pedras de sua prisão e matou o filho. Após uma série de jogadas de dados ruins (com apenas uma realmente boa, a flecha de Vanael que matou Mysia em One Hit KO), falha na moral dos ajudantes do Bando do Porco-Espinho e uma flechada mortal na cléria do grupo, a guerreira dos Porcos-Espinho, Delyth, estava de pé, com sua lança partida e munida apenas do escudo.

E resistiu bravamente. Cada tentativa de golpe ou agarrão dos aventureiros era rechaçada com uma escudada, seja com a borda, fazendo cortes em pele e armadura, ou com um empurrão bem dado entre costas e costelas, ou na face. Os dados riam dos aventureiros e sorriam para Delyth, que rugia e rosnava.

Muriel, a maga do grupo, tentava argumentar para que Delyth se rendesse. Essa (passava no teste de moral) somente reagia, dizendo que não era fraca como a maga e não se renderia para nenhum homem que a tentasse agarrar (Baden estava já se arrependendo de suas tentativas de agarrão, ambas falhas e que lhe renderam alguns hematomas).

Os jogadores comentavam como ela lembrava a Brienne de Game of Thrones. Estavam todos de certa forma apaixonados pela NPC (e quem sabe pela sorte que os dados lhe deram). Resolvi que Delyth aceitaria não uma rendição, mas um acordo de abandonar o combate, já que não tinham mais contratantes e estavam todos em péssimas condições (e presos na tumba pelos ajudantes do Bando do Porco-Espinho que fugiram).

Delyth viria a matar os dois covardes quando conseguiram sair da masmorra (com seu escudo e mãos nuas!) e ainda deixou claro que esperava encontrar o grupo do mesmo lado em um campo de batalha, ao invés de lados opostos. Certamente espero ter a oportunidade de colocar Delyth novamente no caminho dos aventureiros, ainda não sei se como amiga ou inimiga, mas certamente esse encontro marcou ambos os lados.

Nessa sessão, aprendi que os dados às vezes nos dão oportunidades de repensarmos um encontro que seria apenas para os NPCs morrerem como um encontro com oportunidades maiores a longo prazo. E os jogadores aprenderam como uma jogada combinada de frasco de óleo e tocha pode ser (quase) fatal para eles, além, é claro, de que levar uma luta até o fim nem sempre é a melhor das opções.

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Geradores aleatórios: personagens e ajudantes

fevereiro 11, 2015 Deixe um comentário

Após conseguir montar um grupo pra jogar Old Dragon (a campanha está sendo reportada aqui) e tendo passado algumas sessões, senti a necessidade de montar outros grupos de aventureiros que eles encontrariam pelo mundo. Como não queria ficar rolando dados e gastar muito tempo com NPCs que não tenho como saber se merecem uma dedicação maior (isto é, que vivam tempo suficiente para criarem personalidades) e como grande fã de tabelas aleatórias (vejam esse post), resolvi procurar e encontrei algumas sugestões que compartilho.

Old School RPG Character Generators – Esse post do Smoldering Wizard traz vários geradores, tanto de hirelings quanto de personagens (acabou de perder seu mago em uma armadilha? Role outro bem rápido). Alguns estão desatualizados e não funcionam mais.

Meatshields – O nome é ótimo. Meatshields! Tem como ser melhor? Para gerar os buchas-de-canhão, carregadores de tochas, etc., ao melhor estilo dos ajudantes do Old Dragon. Permite alguma customização do processo de contratação.

E por hoje é só, pessoal.

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#RPGADay – Dias 29, 30 e 31 (MEGA ATRASADO)

Deixei aquela série do #RPGADay morrer já no finalzinho, faltavam só 3 dias e andava atrasado com os posts. Quem não lembra é só descer um pouco a partir desse post que acha o resto (ou procurar pela categoria RPG). O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês de Agosto de 2014 (quando aconteceu a GenCon daquele ano) para compartilharmos experiências. Enfim, vamos encerrar logo isso que não é legal deixar pontas soltas.

Dia 29 – Encontro mais memorável

Enquanto pensava sobre qual encontro teria sido o mais memorável, lembrei de quando decidi reviver os combates da minha campanha de AD&D com o uso de miniaturas para exemplificar onde estavam os personagens em relação aos monstros (nada de usar regras específicas de movimentação e ataques, era mais para propósitos “cinematográficos”).

Foi quando meus aventureiros invadiram o Palácio de Prata de Graz’zt. Em um momento anterior (acho que citei aqui), eles tinham resgatado Waukeen, a deusa do comércio, de sua prisão e sofreram as consequências por isso. Ao invés de esperar anos tramando, como a gente já estava jogando no ritmo de quase uma vez por ano, Graz’zt enviou sua filha Thraxxia para capturar/matar os entes queridos dos aventureiros.

E foi assim que o filho de Roswald foi arrancado do útero de sua mãe e trancafiado em um jarro de prata, com uma tentativa de incriminar Sinclair, o filho de Yasha e Snake também foi raptado (embora já estivesse nascido) com uma chantagem feita aos Ladrões das Sombras…

Foi o suficiente, eu acho, para fazê-los ir atrás de vingança. Ninguém esperava que eles fosse se transportar para o Abismo e invadir o Palácio de Prata no estilo pé na porta e soco na cara. E foi aí que enfrentaram uma horda de demônios. Coloquei as miniaturas dos jogadores e suas posições e, enquanto descrevia a cena, ia empurrando todas as outras miniaturas que tinha (um monte!) na frente deles. Era a hora sendo visualizada não apenas no olho da mente, mas em proporção do que estavam enfrentando.

grazzt

Essa figura não faz jus ao que dizem sobre Graz’zt ser o príncipe demônio da sedução.

Obviamente houve o confronto direto contra Graz’zt, uma luta quase descrita como um episódio de Dragon Ball Z, com o impacto dos golpes do lorde abissal modificando o ambiente ao seu redor. Assim que causaram dano o suficiente para distraí-lo e deixar Snake se infiltrar e resgatar os raptados, deixaram Graz’zt tão ferido a ponto de demorar a se regenerar e fugiram de volta para Faerûn.

O lorde abissal aprendeu uma lição: não mais tentar intimidar sujeitos tão loucos a ponto de sair quebrando sua casa, matar sua filha e Regra-de-Três, seu mordomo. Ser um gângster e deixar cabeças de cavalo na cama dos outros realmente não deveria ser o método empregado por Graz’zt.

Dia 30 – RPG mais raro que tenho

Dando uma olhada na minha recente lista de compras, fico na dúvida entre o Rules Cyclopedia de D&D ou seu companion de monstros, o Creature Catalog. Por vir pelos correios (e que, por favor, não desapareçam no caos alfandegário e postal) ainda estão a reedição de Ravenloft como caixa de cenário e o livro Lords of Darkness de Forgotten Realms ainda para a 3ª edição. Realmente fico na dúvida, mas acho que um dentre esses citados.

Dia 31 – RPG favorito de todos os tempos

Por fim, meu RPG favorito de todos os tempos é o D&D, seja ele em sua forma antiga, na caixa básica da Grow, na forma Advanced, como conheci lançado pela Abril no Brasil, seja na terceira (e meia) edição ou na Next (ou quinta). Foi com o D&D que iniciei e é onde sinto que tenho minha zona de conforto. É o tipo de história que quero criar com mais frequência com meus jogadores.

Sobre a quarta edição… bem… Acho que fica legal pra “jogos de torneio” ou aventuras one-shot de encontros. A única vez que joguei, num desses encontros de RPG no Bob’s que têm aqui no Rio, curti, mas com essas ressalvas. Não me parecia um jogo que daria abertura para fazer coisas fora de uma dungeon, há uma ênfase muito maior no aspécto tático e estratégico do combate.

E mesmo que o D&D Next seja um fracasso e talvez a franquia morra no papel (bate na boca e na madeira 3 vezes pra espantar o mau agouro), haverá ainda retroclones e jogos derivados, como Old Dragon e Dungeon World, que mantêm viva essa chama da aventura em nossos corações.

E assim encerro essa postagem que está desde final de Agosto do ano passado por terminar. Livre de um fantasma, vamos caçar outros!

Categorias:RPG

Manual de Bons Modos no Cinema – Parte 1

janeiro 7, 2015 1 comentário

Minhas idas ao cinema, principalmente quando estou sozinho, têm sido frustrantes. Já comentei sobre o assunto nesse post e nesse daqui. Houve também aquela vez que fui ver Eu, Robô e o filho do senhor que tinha sido atingido por uma lata de refrigerante devolveu com maior força em cima do guri, mas eu desvio do assunto… ou não.

Depois de ter visto O Hobbit – A Desolação de Smaug e ter protelado a vista de O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos, finalmente paguei minha dívida. Não é o melhor dos filmes, há muita Legolice, forçações de barra para explicar como alguns personagens se conhecem no Senhor dos Anéis, mas há seus momentos (e a gente já sabia o final né). Poderia ter sido uma experiência melhor se não fosse o casal do meu lado.

E é por isso que começo esse manual de bons modos no cinema:

  1. Se o filme faz parte de uma série, tente se inteirar sobre ela ou ao menos descobrir o que precisa pra entender o filme corrente.
    Você vai evitar fazer perguntas a todo momento tentando entender quem é quem, como estão relacionados e o que está acontecendo. E vai evitar atrapalhar a experiência dos amiguinhos.
  2. Se você está indo ao cinema só pra agradar seu namorado/a, parceiro/a, peguete, sei lá, o quê, faça o favor de respeitar sua companhia e os outros à sua volta.
    Se a pessoa te chamou pra ver o filme que ela gosta, é porque quer dividir esse momento com você. Não tente estragar desviando a atenção do filme. Se são namorados, por favor, a gente sabe que ele ou ela “também quer”, e que no escurinho do cinema com pessoas em volta é divertido por ser perigoso. Não precisa ficar falando isso, a gente sabe, muitos de nós fizeram isso no cinema quando adolescentes. Em casa vai ser bem melhor porque a noite foi prazerosa.
  3. Sacos de pipoca e copos de refrigerante, uma vez vazios, não devem ser usados como instrumento de tortura.
    Não, não me interessa se você tem talentos musicais e consegue tocar Brilha Brilha Estrelinha amassando o saco de pipocas. Guarde isso pra um show de calouros, não pra sala de cinema.

Acho que por hoje basta, já é difícil pra algumas pessoas assimilarem esse conteúdo. E vocês, caros leitores, como foram suas últimas experiências no cinema?

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Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 3.600 vezes em 2014. Se fosse um bonde, eram precisas 60 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Andróides sonham com ovelhas elétricas?

BladeRunner-Pôster

Nos últimos 4 anos, Andróides sonham com ovelhas elétricas? deve ter ficado em primeiro ou segundo lugar como livro que li mais rápido. Umas duas semanas desde que resolvi pegá-lo de fato para ler, não levo em conta a data da compra como o dia inicial. Considerando que tenho uma leitura em curso desde 2010, várias revistas, mangás e livros-técnicos na estante esperando sua vez, acho que foi um recorde. E não foi por acaso.

Minha iniciação aos romances cyberpunk foram com a trilogia do Sprawl, do Gibson, que já comentei aqui. Embora o terceiro livro tenha sido o que mais me deixado desmotivado para terminar, foi uma leitura que gostei. O que me lançou a esse mundo foram duas antologias de contos brasileiros de ficção científica publicadas pela Devir e o meu gosto pela estética cyberpunk. Mas algo que me deixava meio de pé atrás com esse livro de Philip K Dick era o fato de ter começado a ver o filme Blade Runner, de Ridley Scott, ficado sonolento e deixado pra terminar outro dia. De fato esse dia chegou, mas foi só no final da primeira semana depois de ter começado a leitura do livro.

Já havia lido que ambos eram trabalhos diferentes, apesar de compartilharem personagens e situações, havia diferenças no roteiro. A versão publicada pela Aleph, a mesma dos livros do Gibson, traz uma entrevista com o autor, uma carta escrita por ele após ter visto cenas do filme, que nunca chegou a ver a versão final por ter morrido em decorrência de um AVC, e um posfácio que explicita as diferenças entre filme e livro. Embora o filme de Ridley Scott tenha suas cenas memoráveis, diálogos que nos fazem refletir e uma estética bem agradável (para os que gostam de cyberpunk), a discussão sobre humanidade no livro é mais acentuada, primária e, na minha opinião, faz do livro um produto melhor que o filme.

androides

De forma resumida, a trama se dá em uma terra pós-apocalíptica, onde Rick Deckard é um caçador de recompensas que elimina andróides ilegais que voltam à Terra vindos das colônias planetárias. O modelo Nexus 6 (esse livro serviu de inspiração pra linha de celulares Nexus do Google que usam o sistema operacional…. Android. Tanto que é por isso que nunca existirá um Nexus 6. Boa sacada, pessoal!) traz dificuldades na aplicação do teste de humanidade usado por Rick, complicando seu trabalho, mas a maior complicação vem na discussão do que é ser humano, o que é ter vida.

Segundo o teste Voight-Kampff aplicado por Rick, a empatia é o que separa humanos de andróides, além de fatores como a força e agilidade (mais desenvolvidos no filme Blade Runner) e o tempo de vida reduzido, um tipo de obsolescência programada, principal motivador do filme. No livro, a motivação é os androides entenderem o que é a empatia, por que humanos a tem e conseguirem ser reconhecidos como humanos, o que não vou explicar para não estragar o plot do livro. Há outras subtramas que se encaixam com a principal e a enriquecem, tecendo comentários sobre estruturas seculares e religiosas de nossa época, como o vício nas caixas de empatia, a demonstração das aparências em se ter animais, mesmo que falsos, e a adoração da figura do redentor, coisa bem comum na literatura cyberpunk.

Embora publicados em mídias diferentes, que exigem tratamentos e enfoques diferentes, a minha opinião é de que, nesse caso, o livro consegue passar uma mensagem mais interessante que o filme. As críticas sociais e a discussão filosófica sobre ser humano se perdem para a busca e loucura de Roy Baty, no filme majestosamente interpretado por Rutger Hauer, no livro uma figura de certo modo ainda assustadora, mas não do mesmo jeito do filme, como um estrategista, mas tomando as vestes de um Moisés que busca levar o seu povo para uma terra prometida, em busca de uma experiência mística. Embora o diálogo final entre Roy Baty e Rick Deckard, no filme, seja algo memorável e melhor trabalho que o que aconteceu quando Deckard e Baty finalmente se encontram no livro.

Categorias:filmes, livros

#RPGaDay – Dia 28 – Jogo mais amedrontador que já jogou

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 28 – Jogo mais amedrontador que já jogou

Como já disse por várias vezes nessa série do #RPGaDay, joguei muito pouco RPG, tendo assumido mais o manto de mestre. Quando estávamos no colégio e era uma época entre-safras, após algumas aventuras de D&D ou AD&D e antes da minha campanha principal de AD&D, tinha sempre um livro ou revista na mochila com um sistema de regras. A bola da vez era Trevas, a primeira versão, em formato de revista. Era fácil de carregar, simples de explicar e com menos furos e repetição de texto que as versões posteriores dos jogos da Daemon, afinal, ainda era a primeira edição, vindo logo depois de Arkanun. Na verdade, o sistema de regras nem importava muito pra esse caso, mas ajudava a dar o tom de mistério e terror quando os jogadores viam a capa e sabiam que podiam enfrentar forças sobrenaturais.

Algumas vezes ocorria de termos aula no sábado. Era coisa como matéria adicional que a professora precisava passar para quem fosse fazer prova para outro colégio, já que o nosso terminava na oitava série (lembre-se que estou falando de uma época anterior à reforma que adicionou o nono ano), ou para compensar a ausência por viagem ou doença de alguma professora. Era quando eu resolvia testar as aventuras solo com meus jogadores. Não havia texto preparado, nem uma ideia de como começar e terminar na minha cabeça. Deixava a coisa rolar baseado no que o jogador reagia ao mundo. Geralmente eram histórias de mistério quase sem pé nem cabeça, afinal, não precisaríamos dar explicações melhores, era uma aventura one-shot solo… O Igor foi minha primeira cobaia. Mas a segunda cobaia que teve resultados mais interessantes.

Partindo dessa ideia das aventuras one-shot solo sem muito rigor, resolvi mestrar em uma dessas faltas de professora. Acabou que não só o Daniel, mas o Igor e Daniele se juntaram. Era uma aventura de zumbi padrão, coisa de misturar a USP descrita no suplemento Temporada de Caça com Racoon City. E funcionava. A invasão zumbi começou em um laboratório da USP, alunos estavam sumindo, professores pareciam cada vez mais arredios, e no meio dessa confusão estavam os jogadores. Estar fora de seu campo de conforto, como heróis medievais, e jogados na mortalidade de pessoas comuns que por acaso poderiam ter uma arma contra algo que pode nem ser machucado deixava os jogadores apreensivos. Cada esquina dobrada podia ser a última. O uso de armas de fogo podia atrair atenção indesejada, e se fosse coisa dos militares? E se não há mais seres humanos vivos lá fora e perdemos o fim do mundo aqui dentro? Muitas dúvidas, muita apreensão.

A aventura acabou sendo interrompida pelo horário da próxima aula, mas meu prêmio viria no momento em que o Daniel voltava do corredor onde fora beber água e disse que tinha tomado susto com um senhor que encontrara por lá, dada a tensão da aventura que havia acabado de jogar. Só pude rir e me dar por satisfeito de termos criado uma boa história que repercutiu na vida real.

rpgaday

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