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Video Game Art

O título de hoje é copiado do livro do Arthur Bobany, um dos primeiros, senão o primeiro, a discutir video games como arte em português. A minha edição está seqüestrada pelo Jan, então não posso no momento usar passagens do livro para embasar o texto de hoje. Lembrando que é recomendável jogar os jogos aqui mencionados quando eles aparecem, antes de prosseguir com o texto para evitar possíveis spoilers.

UPDATE: A lista segue logo aqui para quem quiser experimentar ANTES de ler
Coma
Today I Die
You Only Live Once

Há algum tempo eu postei sobre o jogo Passage, que me foi apresentado pelo grande Arthur Protasio. Passage evocava no jogador diferentes percepções e emoções, apresentando-lhe uma metáfora sobre a vida na forma de um jogo não apenas jogo-pelo-jogo, mas um jogo-arte. Ontem jogando Coma, percebi que precisava falar mais desses jogos-arte.

Coma, que mostrei para meus amigos Gustavo Whately e Marcelo Segall enquanto decidíamos o que fazer da noite Resendense, leva o jogador a um mundo íntimo, sugerindo que é a representação de um sonho do personagem Pete, em estado de coma. A arte gráfica e sonora do jogo são muito bonitas, com uma estética sombria meio burtoniana, e se possível, atente para as mensagens escritas na parede que completam o tom.

Na visão do design, o jogo é relativamente simples. Um adventure em plataforma rápido de ser resolvido (ao menos para quem está acostumado com adventures), com um interessante minigame de piano que poderia ter sido melhor explorado na questão da interface com o jogador, mas encaixa muito bem na história (apesar de quem terminar o jogo provavelmente tentará resolver o puzzle do piano com a resposta logo de primeira, e se frustrará). Essa simplicidade na mecânica não retira nem invalida o tom do jogo e o que ele provoca em cada jogador. Pode não ser uma experiência tão íntima quanto Passage, ainda mais por afastar o jogador de seu avatar dando-lhe um nome, mas toda a situação que o personagem passa e a história por trás permitem muitas elucubrações a respeito do final e do que se passa na cabeça de alguém em coma.

Outro exemplo de arte em jogos é Today I Die. Esse, por sua vez, traz uma inovação muito interessante na mecânica. Os gráficos são remetentes à estética 8-bits, o que já é um bom começo para me agradar, mas o forte de TID é a imersividade causada pela novidade na mecânica para solucionar o puzzle e na história que o jogador constrói ao resolvê-lo. Novamente a música tem um papel fundamental para construir o clima no jogo e levar o jogador ao flow.

Como último exemplo hoje, um dos jogos que achei bem interessante pela ousadia (não há outra palavra para descrever a inovação deste título) é You Only Live Once. Exatamente cara leitora, você só vive uma única vez, como na vida real. YOLO pode ser visto como uma crítica ou sátira à quebra de imersão causada pelo número de vidas que um personagem tem (oras, se tenho 3 vidas, o que custa perder uma?) e ao que aconteceria se por exemplo, Bowser matasse Mario e tivesse que responder pelos seus crimes. Divertido e difícil, recomendo cautela ao jogar. Das duas oportunidades que tive, na segunda estive perto de ver se há um final em que você possa viver.

Espero que esses 3 jogos apresentados aqui possam ter agradado a quem leu. Se não foram capazes de causar alguma reflexão, de levar a querer conhecer mais sobre um assunto (aprendizado tangencial), que pelo menos tenham servido como jogo-pelo-jogo e matado algum tempo de estágio =)

PS: E aqui incito o Jan, jogos-arte necessariamente precisam comunicar alguma coisa? Faço isso referenciando seu último post e a animada discussão sobre artes e o que de fato os autores queriam dizer com suas obras.

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  1. julho 25, 2010 às 17:46

    Só joguei YOLO uma vez, e pelo jeito ele ainda se "lembra" que eu morri. Algum dia vou criar máquinas virtuais só para poder ter a chance de ver o final desse game…

  2. julho 25, 2010 às 17:48

    Não pense que eu não considerei fazer isso. O bom de não me desfazer de algumas máquinas é ter essa oportunidade.

  3. julho 25, 2010 às 17:53

    Nunca joguei nenhum dos três, mas adoro joguinhos em flash quando estou um pouco entediado e preciso parecer ocupado. Já jogou Jumpers for Goalposts 3? Sugiro dar uma olhada! :DAbraço!

  4. julho 25, 2010 às 17:55

    Deveria ter parado de ler no momento da palavra "game".=*

  5. julho 26, 2010 às 01:06

    Caraca, muito legais os jogos… Gostei bastante do Today I Die… O YOLO achei muito engraçado, pena que, de fato, vc só vive uma vez… Esperarei o Luchini zerar…

  6. julho 27, 2010 às 16:20

    Que honra ser o cara que apresentou Passage pra você, Baere.Existem vários outros jogos na mesma linha que eu acho sensacionais e o mais incrível é que depois de jogar cada um deles, a gente fica com vontade de fazer o nosso. Isso que eu acho sublime: quando você é exposto à criação/arte do outro e fica inspirado com vontade de passar a sua própria mensagem para os outros de maneira artística/criativa. Como se você quisesse retribuir a arte com mais arte.Como você me apresentou o YOLO via esse post, vou retribuir e dar continuidade ao ciclo.Conheça Pathways, Judy e Don't Look Back do Terry Cavanagh: http://www.distractionware.com/Um brinde à arte. Enjoy! 🙂

  7. Jan
    julho 29, 2010 às 23:12

    Muito interessantes os jogos!Quanto à questão da arte, um jogo não necessariamente tem que fazer sentido. Ele precisa agradar o espectador (no caso, o jogador), conforme eu disse no meu post. E esses três jogos cumpriram muito bem essa tarefa.

  8. julho 31, 2010 às 18:42

    Não sabia que esse blog era seu! Muito legal! :D=*Visita o meu! ^^'

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