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Solitários desbravadores

Nas páginas da Dragão Brasil, há tempos, de vez em quando apareciam as chamadas aventuras-solo, versões menores dos livros-jogo que ficaram famosos na década de 80 com a série Aventuras Fantásticas (Fighting Fantasy). Esses eram jogos para uma pessoa, em que o destino do personagem era determinado pelas escolhas do jogador, com ou sem fator aleatório, dependendo do jogo.

Em épocas magras, quando seus amigos não podiam jogar junto ou em uma longa viagem, quando videogames portáteis eram minigames, Gameboy ou Game Gear, essas aventuras-solo proporcionavam uma experiência mais próxima possível do RPG de mesa, sendo a própria revista ou livro o mestre de jogo. Foi quando eu estava fazendo o pré-vestibular e me encontrava um pouco distante da mesa que conheci uma evolução desse conceito, o Fortaleza de Berdolock.

Capa do jogo Fortaleza de Berdolock

Criado por Antônio Marcelo da Riachuelo Games, denomina-se um RPG solitário, em que o jogador interpreta um guerreiro que desbrava os túneis da tal fortaleza do outrora poderoso mago Berdolock em busca de fama e riquezas. Seu guerreiro é representado por uma ficha com poucos atributos, gerados aleatoriamente como nos livros da série Aventuras Fantásticas. O jogo é do tipo print and play, você pode baixar e imprimir o PDF com as regras, também recomendo ter papel quadriculado para ajudar no desenho da masmorra, alem de poder usar os cantos do mapa para outras anotações.

O grande diferencial do jogo é sua geração de masmorra aleatória, usando um limitado mas pratico número de geomorphs, o que possibilita masmorras diferentes a cada incursão de forma parecida com o que a série Diablo fez nos computadores. O mundo de Fortaleza de Berdolock, Lyzarbhi, continuou a ser expandido e referenciado em outras obras do autor, como os módulos de armas de fogo e de mortos-vivos para a versão fast-play do RPG old school nacional Old Dragon.

Tive o privilegio de poder contribuir na época como testador do módulo de expansão Os Pergaminhos Perdidos de Berdolock, que além de novos monstros, adicionava a mecânica do seguidor, um encontro aleatório que poderia se juntar a você para desbravar os escuros e perigosos túneis.

É um jogo rápido que se mostra um ótimo passatempo quando bate uma saudade de fazer dungeon crawling. A alta mortalidade da fortaleza faz cada incursão trazer uma tensão para o jogador e aumenta o sabor da vitoria, ao conseguir escapar da masmorra com vida e tesouros. Lembro-me de quando presenteei um amigo do cursinho com uma cópia e passamos alguns dias comentando sobre como nossos personagens morriam e como comemoramos quando o primeiro escapou com vida.

Outros RPGs solitários

O Fortaleza foi o que eu conheci primeiro e por isso marcou, mas houve outras produções (e certamente haverá mais) que se preocupam com a mesma coisa: você não ter outras pessoas para jogar e querer fazer um dungeon crawl rápido, sem usar livros-jogos que após algumas jogadas você descobre um caminho ótimo. Uma dessas é o RPG Solitário de Jeferson Shin que possui o conceito de níveis de experiência e usa isso para modificar o resultado dos dados na tabela de encontros na masmorra.

Outro que pode ser usado pra jogar sozinho é o o Mythic RPG, mas este chega a ir além. O Mythic é na verdade um sistema que pode ser usado sozinho ou em conjunto com outros RPGs para gerar eventos e pode ser usado de tal forma que vira um emulador de mestre de jogo. Ainda não li, mas pelo que o Ygor me falou é bem interessante e poderoso, sendo usado em alguns play-by-forum. Aos curiosos e interessados, vale a pena conferir.

E daqui pra frente?

Creio que o próximo passo nesses RPGs solitários seja sua transferência para celulares e tablets. O cenário hoje é diferente de 2004 quando conheci o Fortaleza de Berdolock, temos dispositivos com mais memória e capacidade de processamento que jogos parecidos com Diablo, como Dungeon Hunter (sua atual – e terceira – encarnação saiu na PSN com coop local), são possíveis em celulares. Criar um sistema em que você tenha uma experiência vintage de aventura-solo ou RPG solitário, com comparação de estatísticas com outros jogadores, não é só possível como podemos ver jogos no Facebook que são de certa forma a concretização disso, como o finado Dungeons & Dragons Tiny Adventures, onde você escolhia qual aventura ia fazer, mas o desenrolar era gerado aleatoriamente com poucas intervenções do jogador.

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Categorias:games, Rio, RPG
  1. julho 14, 2011 às 11:11

    Eu ainda tenho o calabouço da morte, livro jogo animal, huaihauihaiu

  2. Pedro Luchini
    julho 15, 2011 às 14:07

    Sério que ninguém ainda portou Nethack para Facebook, Android, ou iOS?

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