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Sobre individualidade de pensamento e respeito

Tenho lido por aí na Internet, essa série de tubos, uns textos que realmente não me agradaram. Uns distanciam bastante do que penso e se aproximam muito do que sou contra, outros se aproximam muito do que penso mas caem no erro de defender o que não acho certo (aqui por certo entenda o que pensamos que é justo – no conceito de justiça vigente – e o que é bom para nós mesmos e para o outro). Tentarei discorrer brevemente sobre o assunto sem tomar partido em alguma causa.

Vivemos uma era de bom mocismo, em que o politicamente correto é mais que benvisto e benquisto, nos é imputado pelos outros, mesmo que seja hipócrita com o que de fato acontece em nossa sociedade. Ora, educação vem de casa, são meus pais que devem me ensinar o que é certo e o que é errado, e talvez a igreja se você frequenta alguma, a escola nos ensina coisas úteis para a vida e para sermos úteis à sociedade, mas é certo que nos imponha uma forma de pensar? Lutamos contra isso, contra a ditadura, e estamos nos deixando ser levados a outra ditadura, dessa vez não tão escancarada. Não que ser bom moço esteja errado, afinal é desejável e o imperativo categórico nos mostra que se todos o fôssemos, tudo seria melhor, mas é certo que me façam deixar de pensar como indivíduo, de ter minhas próprias crenças e pré-conceitos? Conceitos e crenças podem ser mudados quanto mais conhecemos, mas não podemos proibir pessoas de terem crenças e conceitos, sejam eles pré ou pós.

Vamos deixar claro uma coisa: repudiamos o ódio (embora o ódio seja “aceito” quando direcionado a algo que ameaça a todos e a nossos direitos básicos). Misos, o ódio, é diferente de fobia, o medo. É natural do ser humano temer aquilo que é diferente, mas quando esse medo se transforma em ódio, o direito de ir e vir do objeto de ódio é ameaçado. Impedir que o misos ocorra não se faz impedindo idéias ou impondo a aceitação do desconhecido. Deve-se desmistificar o desconhecido, o diferente, para mostrá-lo como igual, mas diferente dadas suas particularidades, e que essas diferenças precisam ser respeitadas. Obrigar a aceitação, seja por leis ou por pressão social só aumenta a possibilidade do ódio ocorrer e não a genuína aceitação e respeito.

Maçãs e laranjas são diferentes, mas no fundo são frutas com sementes. Eu gosto de maçãs, se você não gosta eu tenho que respeitar o seu direito de não gostar, assim como você respeita o meu direito de gostar de maçãs. Mas a partir do momento que eu ou você passamos a nos discriminar pelo que acreditamos, geramos o ódio e não há mais harmonia na sociedade. Você não pode me obrigar a gostar de laranjas, mas posso respeitar o seu gosto por laranjas. Só não me force a aceitar as laranjas, respeite minha individualidade.

Pense nas maçãs e laranjas como metáfora para o que você quiser. Alguns entenderão como religiões, outros como preferência sexual, outros como times de futebol, outros ainda como Star Wars e Star Trek, ou quem sabe Visual Studio e VI. Se ambos os diferentes coexistirem em respeito mútuo, deixando a aceitação fluir naturalmente, sem ser forçada, isso me parece uma boa idéia. O problema é que nem todo mundo consegue entender que o diferente existe e precisa ser respeitado, mesmo que você não compartilhe de suas idéias.

Os leitores concordam, discordam ou têm outra opinião? Deixe aí no comentário, mas respeite a opinião do amiguinho, afinal já disse Voltaire: “Eu posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”.

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  1. Larissa
    agosto 30, 2011 às 20:23

    Então cara… eu concordo muito com o seu ponto de vista… só que eu tenho menos jeito com as palavras… auhauhauhau
    mas sem querer ofender ninguém, eu já estou farta de tanto ouvir baterem na mesma tecla, de tanto ouvir o que eu não posso dizer ou fazer e de não ver ninguém dando apoio a “mim” (por assim dizer, “pessoa comum”)
    negar muito as coisas aos outros causa revolta e indignação… mas alguns tem controle sobre isso e outros não.
    eu acho essa questão de impor certos conceitos uma coisa bem ruim… pois cada um tem o direito de pensar como quiser, contanto que também saiba que é dever como cidadão respeitar o outro em todas as formas e meios. não vivemos sozinhos, vivemos em sociedade e devemos nos respeitar.
    o problema é que impor as coisas aos outros é desrespeito e isso ainda vai causar muita encrenca… mesmo que a mídia não divulgue…

  2. agosto 30, 2011 às 21:11

    Bom, um assunto SUPER polêmico. Observe: eu concordo e discordo com você ao mesmo tempo! Acho justo que devemos respeitar os outros, devemos ter livre arbítrio para pensar, escolher opiniões, termos gostos (ou desgostos :P) etc. Entretanto, temos que ter sempre a consciência de que “o meu direito acaba no momento que o do outro começa”. A grande questão é: cabe a mim me sentir ofendido por que o outro gosta de tangerina (poderia ser laranja, mas vou citar a tangerina) e eu gosto de maçã? Por que eu me sentiria ofendida por isso? Por que o outro come tangerinas na rua e o cheiro exala, posso eu me sentir ofendida?
    Não gosto da ideia da imposição. Acredito que todos tem o direito de falar o que quiserem, mas tem que ter consciência de que toda ação tem uma reação.

  3. agosto 31, 2011 às 02:28

    Só pra corrigir, essa frase, que sempre é relegada a Voltaire, não é dele. é um ditado comun durante a revolução francesa onde as máximas “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” imperavam. Não se sabe como jogaram esse aforismo para Voltaire, mas não é dele.

    Já disse mais d euma vez: o problema não é pré-conceito, mas a descriminação baseado em um pré-conceito ou mesmo em um conceito formado. E ter o direito de dizer ou fazer algo não signifique que devemos. Pensem nisso também. Bom senso deveria se rum bem da humanidade.

    Anyway, eu tinha mais coisa para Dizer, mas o sono já roubou minha mente e tenho a final de uma Champions League para ganhar. Então.. See you later, aligator. SE me lembrar, paso aqui mais tarde e posto mais.

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