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O Livro de Jobs

Steve Jobs morreu, longa vida a Steve Jobs.*

Agora vamos parar e pensar em todo o fuzuê feito nas redes sociais após a morte dele. Várias pessoas dizendo que ele revolucionou o mundo, mudou a forma como a informática era tratada pelas pessoas, que é um bom sujeito, honesto, íntegro… Não tenho como afirmar ou discordar de suas características pessoais ou no seu relacionamento com as pessoas (apesar do que o filme Piratas do Vale do Silício demonstra, não dá pra acreditar em tudo desse filme, ou dá?), mas não estamos indo longe demais?

Há algum tempo, quando comprei meu iPhone, comentei com o Jan (fanático pelos produtos da Apple) que encontrar outras pessoas também donas de um me trazia um sentimento de comunidade. Era um sentimento de pertencimento que só havia sentido quando participado de comunidades… religiosas. Aqui está o ponto, a Apple (personificada no homem Steve Jobs, atentem para esse fato) criou necessidades para seus produtos e uma devoção quase religiosa em torno da marca. E ainda tornou fácil se aproximar de sua comunidade, tendo como frontman o criador, alguém tão mortal quanto você, alguém que você pode encontrar e aspirar a ser. Tanto que uma polêmica em torno da biografia do sujeito era sua comparação com o Livro de Jó (The Book of Job), que perdeu a conotação religiosa por causa de certo desconforto.

Não que esse post duvide que o que Jobs fez foi interessante. Suas idéias trouxeram mudanças em como trabalhamos com computadores e certamente foi um líder de empresa que vestia a camisa, colocava-se na linha de frente e assumia em si a própria marca, mas tamanha devoção a uma só pessoa me assusta, parece que nem havia mais designers e engenheiros que transformavam as idéias em produtos, cada qual implicando em mudanças, por mínimas que fossem, que impactariam no produto final.

E quando ouço pessoas falando que ele foi o grande revolucionário, que mudou o mundo dos computadores e como as pessoas se relacionam com eles, me pergunto por que eu olho para os lados e vejo mais PCs que Macs. A grande revolução seria trazer produtos com a qualidade característica da Apple (ou você consegue usar a tela de toque e a interface de celulares Android com a mesma facilidade que um iPhone?) para o popular, e não a elitização do produto, onde só uma minoria consegue comprar sem sentir o peso no bolso. A gota d’água para mim foi um post do Gizmodo em que o autor sente-se aliviado por ter pedido o perdão de Jobs pela polêmica com o iPhone 4, fico pensando se ele teria a mesma atitude e o sentimento com Ballman e Gates quando resenhasse uma versão vazada do próximo Windows.

Pergunto-me se quando Stallman, Gates, Torvalds, Carmack** e outros morrerem, ou mesmo Wozniack que começou a Apple com o Jobs, haverá tamanha devoção e comoção. Isso porque nos restringimos a poucos de Computação, imagine os heróis e santos das outras áreas. Sim, Steve Jobs foi um grande revolucionário da computação pessoal, mas principalmente do marketing pessoal.

* – Eu nunca entendi essa frase, se uma pessoa (o termo geralmente é rei – the king is dead, long live the king) como você pode desejar vida longa? Ah tá, é na memória das pessoas…
** – Obrigado por nos trazer Wolf3D e Doom, Saint Carmack!

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Categorias:gadgets, sociedade
  1. outubro 6, 2011 às 13:19

    Sobre a frase, a vida longa seria para o novo rei, cara.

    E sobre a religiosidade em cima dos produtos da Apple, repare, quando você compra um iPhone, vc não compra um celular, vc compra um Iphone. Quando vc compra um motorola, vc compra um celular. Precisa dizer mais?

    Fiz um post sobre Jobs e vou publicá-lo de hoje pra amanhã, meia noite meia, se quiser ver…

    Abraço!

  2. Vinicius
    outubro 6, 2011 às 13:24

    “(ou você consegue usar a tela de toque e a interface de celulares Android com a mesma facilidade que um iPhone?)” >> Eu consigo… Inclusive acho melhor… (por que estou com a sensação de que esse comentário vai ser considerado uma ofensa – ou uma blasfêmia???)

    O “long live the king” não seria para o novo rei que assume o trono???

  3. Jan
    outubro 6, 2011 às 14:47

    Claro que você sabia que eu ia vir aqui comentar, não é?

    Eu tenho uma certa discórdia com pessoas enaltecendo um falecido pelo simples fato de ele não estar mais aqui. Embora triste, a morte é um processo natural da vida e não redime os erros cometidos. Da mesma forma, é estranho ficar deprimido por alguém que você nem conhecer pessoalmente.

    Quanto ao Jobs especificamente, acho que você subestimou um pouco o papel do cara no mundo da tecnologia. Embora não fosse especialista em programação, hardware ou até mesmo design, ele tinha uma visão de produto sensacional. Não só imaginava o que as pessoas queriam sem precisar perguntar: ele sabia coletar os especialistas necessários, fazer a comunicação entre eles e anunciar espetacularmente a novidade.

    Apesar da maçã não ter dominado o mundo da informática, o conceito de computador pessoal atual veio do Apple II e do Mac. Da mesma forma, tocadores de música, celulares e tablets são hoje o que são por causa da visão do Steve. Não que conceitos similares não existissem, mas foi necessário um grande refinamento e muita ousadia para escolher os recursos certos. Daí surgem os produtos que encantam as pessoas e geram os fãs chatos como eu.

    Outro ponto que eu destaco é o seu estilo profissional. Ele era perfeccionista, sempre atento a todos os detalhes. Suas apresentações eram empolgantes. Em vez de delegar tarefas, ele fazia questão de participar de tudo. E toda essa dedicação ao trabalho foi refletida na escolha dos vice-presidentes seniors, que sempre colocaram a mão na massa em vez de ficar apenas administrando de longe. Por isso que a empresa agora ainda está oscilando entre a primeira e a segunda mais valiosa do mundo, mesmo depois do falecimento.

    Finalmente, vale citar a frase que ele disse umas duas vezes em keynotes: a tecnologia por si só não basta para a criação de bons produtos, ela precisa das artes humanas. E é incrível como muita gente acha que só importam os recursos tangíveis como velocidade de processador e megapixels.

  4. Bill
    outubro 6, 2011 às 15:06

    Essa frase diz respeito a continuidade da monarquia apesar da morte de um rei. The king is dead. Long live the king. O segundo “king” é o novo rei de direito mesmo antes de ser coroado cerimonialmente.

  5. outubro 6, 2011 às 17:50

    Na verdade.. o costume do The King is Dead, Long Live the King é porque era pra dar a idéia de que nunca o país ficou sem rei. O novo rei assumiu no momento que o rei antigo morreu 🙂
    http://en.wikipedia.org/wiki/The_King_is_dead._Long_live_the_King.

    E sobre o jobs, eu concordo com o que eu li: ele foi o cara que mais inovou, não o que mais inventou. Pegou coisas que já existiam e fez elas ficarem de outro jeito, muito mais interessantes.

  6. Yanko
    outubro 6, 2011 às 20:52

    Na moral, quando o Carmack pipocar, eu deprimo seriamente.

    Se bem que já é igualmente deprimente o RAGE ter quês de console port =/

  7. outubro 6, 2011 às 23:06

    Caramba, senti-me inculto agora com essa da “vida longa ao rei”, obrigado meus leitores =)

  8. outubro 8, 2011 às 17:09

    E demorou a aparecer na mídia opinião semelhante ou eu que não procurei mesmo? http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2011/10/08/escravos-de-jobs-lamentemos-sua-perda-sem-contudo-endeusa-lo-925539183.asp

  9. Primo
    outubro 16, 2011 às 13:55

    Comé que é?! 10 dias sem postagem?! E o respeito com os leitores?! Xd

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