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Das tabelas aleatórias na criação de personagens

Eu sou um fã confesso de tabelas aleatórias. Seja para gerar os encontros e os tesouros e até mesmo decoração de masmorras (como já fiz usando as tabelas do Livro do Mestre de D&D 3.5) ou aventuras inteiras (como fiz  com o Igor usando RPG Quest, num Réveillon de chuva), a aleatoriedade oferece o presente do caos que dá um toque todo especial. Por exemplo, tive um grupo de primeiro nível em Old Dragon que se virou para enfrentar uma hidra de 6 cabeças no pântano, seu primeiro encontro, e venceu com uso de boas idéias. Porém, sofreram e tiveram baixas para enfrentar dois homens-lagarto num encontro planejado na masmorra.

Para mim, essas tabelas têm um sabor ainda mais especial na criação de personagens. Se deixar, eu sempre vou fazer um paladino ou guerreiro honrado, apesar da minha queda por interpretar um bardo ou ladrão algum dia, cansei de magos que foram meus primeiros personagens sempre com o nome de Tristan, na saudosa época em que Mísseis Mágicos eram de fato mísseis e explodiam nos monstros – ah, a doce ignorância. O uso dessas tabelas pode gerar ideias interessantes para personagens que talvez não consideraríamos se fôssemos planejar.

Decidi testar duas tabelas para ver como o nível de detalhe delas pode ajudar ou atrapalhar. A primeira veio do livro Hero Builder’s Guidebook, lançado pela Wizards of the Coast para D&D 3.0, focado em dicas de como criar personagens interessantes para cada combinação de classe e raça do novo sistema (na época). A segunda veio do Lodoss War (baixem o zip, não o pdf que está corrompido) para Fuzion, já tinha criado um personagem antes por esse método (um mago humano que nem lembro o nome, mas seu inimigo era uma ex-namorada e ele possuía uma companhia de comércio marítimo). Pela brevidade do post, peço que consultem os livros respectivos para maiores esclarecimentos sobre os resultados das rolagens.

Na criação pelo Hero Builder’s Guidebook, tive os seguintes resultados:

  1. Home Community
    Climate: Cold Hills
    Human: Religious, Arcane or Military Compound
  2. Family
    Economic status: Wealthy
    Social standing: Lower class
    Defense readiness: Hired
    Private ethics: Fair
    Public ethics: Undeserved (good or bad)
    Religious commitment: Historical
    Reputation: Unknown
    Political views: Enfranchised progressive
    Power structure: Matriarchy
    Ancestors of note: None
  3. Education
    Early childhood instruction: Religious
    Formal education: Agriculture
    Learning a trade: Hunter/trapper
  4. Life events
    Early childhood events: Undertook a long trip
    Youth events: Arcane
    Pivotal events: All-out war
  5. Relationships
    Parents: Two living parents
    Siblings: No siblings
    Grandparents: Grandparents unknown
    Extended family: Many living relatives (7)
    Friends: Few
    Enemies: Villain
    Instructors: Advanced

Já com a geração aleatória de histórico do Lifepath do Fuzion, usando as tabelas do livro Lodoss War, obtive os seguintes resultados:

  1. Basic personality: Sneaky and deceptive
  2. Who do you value most: Brother or sister
  3. Your philosophy: My word is my honor
  4. Your world view: Yeah… whatever
  5. Early background:
    Family status – Upper class
    Boring childhood
  6. Life events (24 years old)
    17 – Emotional loss. Murdered.
    18 – Friend. Old lover.
    19 – Enemy. From a rival group or faction.
    20 – Nothing interesting happened that year.
    21 – Hunted. You incurred the wrath of a powerful person, family, or group.
    22 – Falsely accused. Set up, now face arrest or worse.
    23 – Enemy. Partner or associate.
    24 – Imprisionment. Been exiled, imprisioned or held hostage. (2 years)
    26 – Idade ajustada pelo último evento.

Para mim, o lifepath do Fuzion pareceu mais sucinto, fácil de criar uma história rápida. Olhando pelo que foi gerado, não é difícil criar uma história de um rapaz aventureiro que teve parentes assassinados e encontrou em um antigo amor a única pessoa em que poderia confiar agora, tendo que fugir de rivais que tentavam eliminar sua família, talvez, de modo que o acusaram de um crime que não cometeu, porém, traído por um parceiro, acabou preso. Talvez tenha se entregue para garantir a segurança de seus irmãos, as pessoas que restaram de sua família após o assassinato.

Já o lifepath de D&D ficou tão detalhado que é até difícil amarrar alguma história dali. São tantos detalhes que acabam mais atrapalhando que ajudando. Comparando com o lifepath do Fuzion, este traz informações mais interessantes. Os últimos anos da vida antes das aventuras do personagem podem ajudar muito mais tanto o jogador na elaboração do background quanto o mestre na preparação de aventuras.

O leitor pode argumentar que os resultados da tabela podem ser ignorados ou rejogados, mas a ideia central aqui é o uso de tabelas aleatórias para gerar um histórico de personagem aleatoriamente e não por decisões do jogador.

E você, caro leitor, prefere ter a criação totalmente controlada por você mesmo (talvez até substituindo os dados por distribuição de pontos) ou prefere deixar o “sabor do destino” atuar de vez em quando?

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Categorias:RPG
  1. Pedro Luchini
    janeiro 29, 2012 às 15:11

    Eu sou totalmente contra o uso de elementos aleatórios na criação do personagem. Meu cérebro se recusa a aprender qualquer sistema que não seja baseado em distribuição de pontos. (Sim, eu já tentei. Várias vezes.)

    Isso é certamente culpa da influência que o sistema Storyteller (a.k.a. “d10”, da White Wolf) teve na minha vida de RPGamer. Foi o primeiro que aprendi e o único que joguei durante vários anos, e o grupo com quem eu jogava reforçava ainda mais a ênfase em história e narrativa… Quando fui ler um livro de D&D, fiquei completamente perdido no meio dos números e tabelas.

    Já tive meu período de indignação adolescente diante de opiniões contrárias, mas hoje em dia aceito que cada um joga RPG do seu jeito.

  2. fevereiro 2, 2012 às 03:10

    Eu não tenho opinião formada. É certo que tenho uma queda pela aleatoriedade (oi, Nimb, seu lindo!), mas sempre fiz minhas fichas com tanto carinho (acho que carinho até demais, meus históricos pareciam novelas mexicanas) que na época que eu jogava, provavelmente quereria chutar o balde diante de uma ficha toda composta por resultados aleatórios. Quem sabe no futuro, contudo? Já andei querendo mudar. Tinha na minha cabeça que, quando fosse jogar Vampiro de novo, usaria um Nosferatu homem – mas depois de ter descoberto minha opção pessoal (e meio homossexual, claro) por Toreador, vou querer experimentar minhas habilidades fazendo uma ficha desse clã pela primeira vez. Acho que a ficha aleatória vai ficar ainda pra outra oportunidade. Talvez em outro sistema, quem sabe…

    • fevereiro 2, 2012 às 03:28

      Ainda mais Vampiro que elimina a aleatoriedade (só tinha pra determinar o Blood Pool inicial, mas isso na segunda edição). Com alguma vontade você pode tentar perveter os estereótipos dos clãs, dê uma olhada nos Clanbooks, há vários exemplos de personagens que criam novos conceitos ou subvertem os já existentes (ex: Ventrue militar. Ainda é mandão e rico? Sim, mas tem tanta classe quanto um sargento durão e “explica” porque sabe usar uma metralhadora).

      Trevas 1ª edição tinha um sistema de gerar as habilidades, vantagens e desvantagens usando cartas de tarot (ou baralho normal, que é só outra roupagem pro tarot) que eu considerava genial, mas desapareceu nas outras edições.

      Claro que o controle na criação do personagem permite montar um da forma como você quiser jogar, afinal a sua diversão e do grupo é que importam no jogo, certo? Mas tente jogar um dia apenas por jogar, pela diversão, sem ter que se preocupar com montar o histórico muito detalhado. Deixe os dados decidirem e vá montando a história de acordo com o jogo. Busca Final permite algo parecido, já que o desenrolar é controlado pelo grupo, daí o histórico vai se criando “in game time”.

  1. fevereiro 11, 2015 às 09:31

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