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Journey

Depois de uma noite de Dominion após o trabalho, resolvi mostrar o Journey pra um amigo meu. Começamos o jogo sem eu dar nenhuma direção ou explicação, não poderia interferir na jornada dele, queria ver como ele reagiria. Não foi minha surpresa que tivemos a mesma idéia sobre os mistérios do mundo e sobre como o jogo se desenrolou: Luchini também é um fã da thatgamecompany. Acabamos caindo no fluxo, mesmo quando trocávamos o controle, e sem ver o tempo passar terminamos o jogo.

Journey é um jogo de experiência. Você não está ali para derrotar um inimigo, fazer mais pontos ou simplesmente se mostrar melhor que os desafios. Os desafios existem, mas a intenção dos criadores é outra, explícita no nome. É um jogo curto, em 2 ou 3 horas você consegue terminar (isso se não tentar conseguir todos os achievements – eles existem aqui, mas nada como “Terminar o jogo 10 vezes”), mas com bastante replay. Graficamente, o jogo é muito bonito, a simplicidade do personagem permite ao jogador se projetar nele, os efeitos do vento na areia, as marcas deixadas ao passar e a sujeira acumulada no manto… Muita atenção foi dada aos detalhes e Journey usou a PhyreEngine, motor gratuito da Sony para seus desenvolvedores, conseguindo criar uma bela peça com poucos recursos.

Comparado com a experiência anterior, era quase um outro jogo. Dessa vez encontramos outro jogador, ou outros jogadores como viemos a inferir e a descobrir, mas na minha cabeça foi o mesmo companheiro de viagem. Surgiu ali pela segunda parte e permaneceu até o fim. A comunicação com o outro viajante é feita como vocês conseguirem se entender e basicamente você só pode emitir um som e se movimentar. Em nenhum momento você conversa com o outro jogador sem ser pelo que o jogo oferece e isso fez toda a diferença. Em tempos de crianças e adultos maleducados xingando e ofendendo em jogos online, encontrar alguém que só consegue se comunicar com você usando apenas um som é fantástico: não há espaço para discussões, ou ambos ficam juntos, se ajudam indicando onde estão os glifos que aumentam o cachecol ou o melhor caminho, ou se separam, cada um seguindo sua própria jornada.

E que fantástico foi passar pelas mesma dificuldades junto de outro, ter a cortesia de esperar o outro jogador chegar onde você está para poder ativar os painéis que contam a história do jogo ou mesmo pular do alto até o chão para mostrar ao recém-amigo o caminho mais fácil até o topo. O altruísmo não é apenas uma decisão apoiada pelas mecânicas do jogo (há pouco disso, embora nem todos os jogadores percebam), mas uma escolha consciente ou talvez até mesmo inconsciente. A trilha sonora acompanha cada momento do jogo criando uma ótima imersão, em momento algum fica dissonante do que acontece, mesmo quando é cortada para dar o clima que a cena pede.

Evitando qualquer spoiler, pois Journey é um jogo para ser experimentado, a história é muito bem contada nos capítulos e tem uma evolução sensacional. Há os óbvios paralelos com a Jornada do Herói de Campbell e situações esperadas (e por que não, desejadas?). Há sustos, momentos de emoção e momentos de desespero, quando se acha que não é possível seguir adiante. Chegamos a nos perguntar em determinado momento como seria passar por aquela área sozinho, se víamos que com outra pessoa era mais fácil (só um pouco mais) por nos ajudarmos. O final é digno da grandiosidade da experiência.

Para os leitores que possuem um PS3 e gostam dessa experiência intimista, tanto consigo quanto com o outro, recomendo que dêem uma bela atenção a Journey. E se conseguirem encontrar outro caminhante, melhor ainda, a experiência será mais fascinante. Recomendo a leitura de uma entrevista com Jenova Chen que possui um vídeo explicando melhor o jogo.

No mais, repetindo o meu bordão eternalizado pelos amigos do Baixo Frente Soco, Journey é um jogo MUUUUUUITO BONITO.

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Categorias:games
  1. abril 24, 2012 às 10:41

    Eu achei Journey um jogo SENSACIONAL! Fantástico em diversos aspectos! À primeira vista, o jogo é um orgasmo visual impressionante, mas não é somente isso. Ele é uma experiência, um conjunto de sensações e vivências, misturado um pouquinho da reação de cada um… O jogo é único pra cada pessoa que joga e consegue provocar sensações incríveis com pouquíssimos minutos e nenhum diálogo! E, claro, me fez repensar como é a interação online entre players (que eu achava que era destrutiva).

  1. junho 11, 2012 às 07:38
  2. dezembro 30, 2012 às 18:51

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