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Review: Super Mario Bros 3: Brick by Brick – Bob Chipman

Acho que nunca antes tinha lido um livro sobre apenas um jogo. Claro, já li diversas revistas de detonados, inclusive do Super Mario Bros 3 com aquelas séries de fotos que destrincham cada fase em seus mínimos detalhes, revistas estas que hoje foram substituídas por FAQs na internet. De livro mesmo só o Racing the Beam de Nick Monfort e Ian Bogost sobre jogos clássicos que definiram o Atari, mas nunca antes um livro como esse.

Super Mario Bros 3: Brick by Brick é quase exatamente o que seu título propõe. Bob Chipman, também conhecido como Movie Bob por quem frequenta o The Escapist, traz um relato pessoal e permeado de emoções e sensações de jogar Super Mario Bros 3 novamente, já em seus 30 e poucos anos. O livro começa com a história que levou Bob à posição que ocupa hoje, um descritivo de como Super Mario foi alçado ao rol dos jogos e um rápido detalhamento do zeitgeist de 89/90.

Capa do livro Super Mario Bros 3: Brick by Brick - Bob Chipman

Cuidando de explicar para quem não conhece o que é Super Mario, qual a mitologia por trás dos inimigos e qual o posicionamento lúdico-histórico desse jogo em um setup de 82 páginas, o livro segue em sua quarta parte com o detalhamento de cada fase, cada inimigo e cada desafio que o jogador enfrenta, junto com relatos pessoais de como Bob se sentia e o que lembrava ao passar por aquela parte. Podendo pular algumas fases, não o faz em respeito ao seu trabalho, dedicando-se a detalhar sua passagem pelos diversos estágios em sequência até o derradeiro encontro com Bowser e ao resgate da princesa. Todo o relato é entremeado por passagens contando qual era o estado emocional de Bob, sua relação com a vindoura mudança de casa e a saúde da avó, personagem importante nessa história por lembrar-lhe que sua infância não foi apenas em frente à TV jogando Mario.

Os relatos de Bob acabaram por me lembrar de detalhes que havia esquecido, trouxe novos conhecimentos sobre as fases de Super Mario Bros 3 e também discussões sobre level design, embora aqui do ponto de vista de um jornalista de jogos e não de um designer de jogos. Não eram raras as vezes em que me lembrava com detalhes de como eu mesmo jogava quando ganhei o jogo só de ler o relato e também a surpresa de não me lembrar de algumas passagens. Bob consegue nos levar de volta à infância e revitaliza a vontade de jogar o que, em suas palavras, é o melhor jogo já feito.

Talvez o título de melhor jogo já feito seja discutível, mas certamente Super Mario Bros 3 é um ótimo jogo e talvez o melhor Mario de NES, mostrando o final da era do Super Mario nesse console com toda a maestria que a equipe de Miyamoto poderia nos presentear e abrindo caminho para Super Mario World no seu sucessor, o Super NES.

O livro é em formato de bolso, com 205 páginas, letra miúda e diagramação que aproveita todos os cantos. Está disponível em formato físico e digital, talvez este garanta uma leitura mais agradável para olhos cansados, mas com o físico a editora Fangamer envia junto alguns brindes como adesivos e toyart, além do selo do invólucro do livro ser oportunamente um símbolo de interrogação dourado.

http://www.fangamer.net/products/super-mario-bros-3-brick-by-brick

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Categorias:games, livros Tags:,
  1. outubro 30, 2013 às 03:49

    Parece muito interessante, mas ao mesmo tempo levanta um questionamento: será q ele agrega muito para quem já jogou esse jogo até de cabeça pra baixo?

    • outubro 30, 2013 às 05:10

      Certamente que o fator nostalgia tem um peso na leitura. Não é nada que se converta em um tratado completo sobre o Super Mario Bros 3, não é um guia definitivo com mapas a dar e vender e todos os segredos destrinchados, mas é o relato de um homem que se propôs a revisitar o jogo, revirando tijolo a tijolo cada segredo e suas impressões. Um exemplo é como ele descreve como pegar os itens secretos, vidas escondidas e como funciona a mecânica dos navios de moedas, casas de cogumelo brancas e tal. Ele dá uma visão geral sobre como conseguir isso na fase, não é um guia passo a passo de como fazer o 100% do jogo.

      Eu diria que vale mais pelo fator nostalgia mesmo. É o tipo de leitura que a cada pausa faz você se levantar, ligar o videogame e tentar acompanhá-lo (ou esquecer completamente do livro e partir pro jogo até o final), voltando a jogar quando passa por uma parte que ou você não se lembra ou não conhecia mesmo. Já tinha pretensão de fazer isso algum dia, hoje teria o apoio moral do livro.

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