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#RPGaDay – Dia 25 – RPG favorito que ninguém mais quer jogar

Agosto é mês da GenCon, uma convenção de jogos famosa nos EUA por ser onde a Hasbro/Wizards of the Coast anuncia novidades para D&D. O designer David Chapman propôs uma série de posts no mês para compartilharmos experiências. Para o Pizza Frita, isso é bom para testar alguns posts mais curtos e reviver o blog. Vamos lá e não se esqueça de comentar!

Dia 25 – RPG favorito que ninguém mais quer jogar

Difícil dizer qual é o RPG favorito que ninguém quer jogar. Na época que mais joguei, quando mestrava AD&D, pensamos algumas vezes em passar a campanha para o D&D 3.5, mas desistimos em todas as vezes que pensávamos em converter os personagens. 3D&T foi um RPG que jogamos em momentos de descontração, então não entra nessa categoria. Resolvi então falar de um hack (não falávamos assim naquela época de AD&D que saiu na Dragão Brasil, trazendo aventuras no Velho Oeste (e não estou falando daquela mistura de fantasia com velho oeste que a Devir chegou a publicar): Cross.

d70

Cross foi uma modificação de regras e cenário ao mesmo tempo que foi lançado na Dragão Brasil 70. Aproveitando a base do sistema de regras do AD&D, suas modificações permitiam jogar com seres humanos normais habitantes do Velho Oeste que conhecemos nos filmes de bang-bang à italiana. Havia lido e estava fascinado, queria jogar, mas meus jogadores só queriam saber de continuar nossa campanha de AD&D (ainda mais que estávamos num ponto em que alguns personagens haviam morrido e precisavam sair da masmorra). Foi uma masmorra onde muitas mortes aconteceram e combinamos que se eles pudessem fazer personagens novos assim que abandonassem o local, jogariam Cross.

Não se divertiram tanto com uma aventura one-shot como naquele final de tarde.

Havia preparado os personagens na tarde anterior em folha de caderno à caneta, com um desenho de tambor de revólver para poderem marcar as munições gastas em tiroteio. Eram os personagens: um escravo liberto pistoleiro (Igor), um “padre” disfarçado na cidade (Diogo), um chinês recém-chegado na Califórnia (Daniel) e não lembro qual o personagem do Décio, acho que um matador de aluguel. A premissa era simples, havia um bandido na cidade que estava usando escravos indígenas para mineirar prata. Os jogadores tinham cada um sua motivação para estar ali e acabaram se encontrando aos poucos, separadamente e depois se juntando no saloon.

Foi o primeiro tiroteio contra os capangas do bandido. Tiro pra lá, tiro pra cá, balas pegando de raspão, prostitutas desmaiando com a confusão, o bandido pulando do segundo andar para fugir numa carruagem e… o Igor tirando um acerto crítico com o rifle. Houve discussão, pés foram batidos dos dois lados, mas o bandido acabou escapando com 2 pontos de vida e praticamente sem um dos pulmões. Arrumando cavalos, partiram atrás do local marcado no mapa que encontraram com um dos capangas, exceto o Diogo que resolveu pegar um trem. Quando viu que estava passando do ponto e o trem não ia parar tão cedo, viu a merda que fez e resolveu saltar do trem e seguir a pé.

Os outros já estavam se aproximando parar uma emboscada quando encontraram o falso padre perdido no deserto. Resolveram abandonar a discrição e usar dos clichês dos filmes. Três cavalos com quatro cavaleiros chegaram na entrada da mina, recebidos por dois jagunços. O silêncio se fez, junto ao sol do entardecer da Califórnia. A câmera mostrava seus olhos cerrados, o suor escorrendo com a tensão e a palha de capim sendo mascada. Iniciativa! Venceram e tiveram a oportunidade de sacar suas armas e dispará-las!

Eis que Igor tira um erro crítico. Daniel esqueceu de recarregar as armas. Diogo tentou se segurar no cavalo que empinava e Décio errou o tiro. Que fiasco! Os capangas revidaram mas como em um bom filme de faroeste, foram abatidos. A mina era uma masmorra padrão de AD&D, com suas armadilhas, índios correndo em meio ao tiroteio com os capangas e uma cena de desabamento quando os cowboys acertaram um barril de pólvora perto do bandido. Os índios estavam livres, nossos heróis limpando a poeira e cavalgando ao levantar da lua.

Todos gostaram muito da aventura, um desvio do tema de AD&D que estavam acostumados e uma diversão após uma tarde de mudanças no grupo. Não voltaríamos mais a jogar AD&D Faroeste. Aquela era uma aventura para ser lembrada, e não substituída.

rpgaday

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Categorias:RPG
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