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Uma breve volta no tempo

Tomei uma decisão semana passada: estava me estressando muito com toda a conectividade do meu celular e precisava me livrar dele por um tempo. Nessa pós-modernidade líquida, não há mais espaços para se concentrar em uma tarefa ou relaxar, tornaram-se lugares artificiais, bolhas de desconexão que precisamos criar. Precisava criar a minha bolha, as muitas mensagens que recebia estavam criando distrações mesmo em momentos de relaxamento (como descer para comer um lanche). A decisão mais fácil seria tirar os aplicativos ou silenciar grupos e pessoas. Optei pelo caminho difícil.

Voltando uns 10 anos

Garantindo a diversão

Há algumas semanas, havia ressuscitado meu MP3 Player. E esse já era um mais moderno, de 2GB. As músicas que ouvia em 2009/2010 ainda estavam preservadas ali, o que me trouxe a uma volta pela estrada da memória. Com isso, também me tornei um inimigo da natureza, voltando a consumir pilhas alcalinas AAA. Em um ponto eu já estava garantido: teria música, apesar dos problemas de randomização burra do aparelho limitado (podendo repetir a música que acabou de tocar, por exemplo), além da inabilidade de usar bateria recarregável embutida.

MP3 Player Foston

Garantindo os compromissos

O próximo passo foi excluir o celular. Não poderia simplesmente colocar em modo avião ou desinstalar os aplicativos. Seria muito fácil arranjar uma desculpa para me colocar de volta na rede ou reinstalar o app “só por uns minutos”. A decisão envolveria não tirar mais fotos a qualquer momento, nem ouvir mais as músicas sincronizadas ou através dos aplicativos de rádio. Porém, dependo da sincronização com aplicativo de agenda com minha equipe para reuniões, além do aplicativo de conversação em grupo.

Nem todos os problemas poderiam ser resolvidos. No caso das fotos, poderia carregar uma câmera digital, já que tenho uma Sony Cybershot, mas não é prático sem uma mochila. Para os compromissos e alarmes, recuperei um PDA (assistente pessoal digital) que meu pai ganhou no trabalho mas não usava mais desde 2009. Levou um tempo até recarregar a bateria do iPAQ e descobrir que teria que fazer à moda antiga a instalação de qualquer coisa que eu precisasse nele: estava muito acostumado a usar um aplicativo padrão do sistema operacional para atualizar o sistema e baixar novos aplicativos. Pelo menos teria uma agenda para anotar os compromissos e tarefas, embora sem sincronização online.

IPAQ Hx2750 da HP

O próprio wireless do aparelho é limitado, não aceitando todos os padrões e protocolos que são comumente aceitos hoje. Se alguém precisar me passar alguma coisa, pelo menos ainda tenho bluetooth.

Mas e a comunicação?

Já a questão da comunicação, a solução que encontrei foi voltar um pouco mais no tempo: telefone fixo. Para algumas pessoas mais importantes, passei o telefone fixo de casa e do trabalho. Para outras, passei o do trabalho. Ainda funcionam, resolvem o problema de forma rápida evitando longas trocas de mensagem e os problemas inerentes de comunicação assíncrona. Ainda me aproveito da noção de que as pessoas ficaram desconfortáveis em falar ao telefone com o advento das tecnologias de comunicação móveis.

Abri algumas exceções, entretanto: ainda uso redes sociais e comunicadores, mas apenas no PC. Como meu tempo com computadores geralmente é no trabalho e em raros momentos em casa, e nesse caso geralmente fazendo cursos online, vendo vídeos ou atualizando sites, ou seja, ocupado, espero que a tendência seja que as comunicações se atenham a coisas relevantes.

Com tudo isso…

Estava voltando uns 10 anos no tempo. Usando um PDA (quem em dia usa um desse?), MP3 player (pilhas alcalinas? Isso é coisa de bárbaros!) e dependendo de telefones fixos! Encontrar algum lugar? Não tem Google Maps, vou ter que confiar na direção das pessoas. Uber ou aplicativo de taxi? Pegar ônibus ou pegar táxi na rua.

Serão alguns dias no mínimo interessantes. Vou perder muitas das facilidades que os apps nos fornecem. Vou ter que me esforçar para chegar no local combinado na hora combinada, já que não posso me comunicar para anunciar atraso ou receber atualizações se algum horário ou local mudar.

E aproveitando que fiz essa volta no tempo, resolvi dar um oi aqui no Pizza Frita. Vai que surge alguma coisa interessante que eu deseje compartilhar com vocês? Não vou ter Facebook à mão pra poder falar na hora.

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Categorias:Untagged
  1. abril 27, 2016 às 16:38

    Parabéns por ter tomado essa difícil decisão! Espero que você escreva outro post no futuro pra nos contar como correu esse experimento.

  2. janeiro 5, 2017 às 11:13

    Uma atitude corajosa. Gostaria de saber como foi a experiência e quanto tempo durou. E, principalmente, se os benefícios foram maiores que as complicações. 🙂

    • janeiro 5, 2017 às 11:15

      Oi Henrique, valeu por comentar. Esse post teve um follow up, é o mais recente. Abraços!

  1. abril 30, 2016 às 14:30

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