Arquivo

Archive for the ‘Rio’ Category

Geradores aleatórios: personagens e ajudantes

fevereiro 11, 2015 Deixe um comentário

Após conseguir montar um grupo pra jogar Old Dragon (a campanha está sendo reportada aqui) e tendo passado algumas sessões, senti a necessidade de montar outros grupos de aventureiros que eles encontrariam pelo mundo. Como não queria ficar rolando dados e gastar muito tempo com NPCs que não tenho como saber se merecem uma dedicação maior (isto é, que vivam tempo suficiente para criarem personalidades) e como grande fã de tabelas aleatórias (vejam esse post), resolvi procurar e encontrei algumas sugestões que compartilho.

Old School RPG Character Generators – Esse post do Smoldering Wizard traz vários geradores, tanto de hirelings quanto de personagens (acabou de perder seu mago em uma armadilha? Role outro bem rápido). Alguns estão desatualizados e não funcionam mais.

Meatshields – O nome é ótimo. Meatshields! Tem como ser melhor? Para gerar os buchas-de-canhão, carregadores de tochas, etc., ao melhor estilo dos ajudantes do Old Dragon. Permite alguma customização do processo de contratação.

E por hoje é só, pessoal.

Anúncios
Categorias:Rio, RPG

O novo futebol

outubro 2, 2012 3 comentários

Algo me preocupa nesse momento político que vivemos. Quando adolescente, defendi meus ideais, queria acreditar em um mundo belo e fantástico, em que o trabalhador oprimido teria voz e se ergueria da massa para ser dominante ao invés de dominado. O sonho morreu com a inocência do adolescente. A realidade da política se abria aos olhos que passavam a enxergar os fios que controlam o mundo e nada mais era belo e inocente.

Por algum tempo pensei: precisamos de heróis. Ter um herói em quem acreditar, em quem confiar, em quem depositar a esperança, etc., é algo que traz paz ao coração e à mente dos que se sentem oprimidos e desejosos de mudanças. Se não temos mais uma figura histórica ou religiosa por quem esperar, se não há mais um Dom Afonso Henriques que reunificar o estado Português, não há esperança para o povo. Assim fizeram-se “heróis” a ocupar esta vaga. E na queda desses “heróis”, quando seus podres vêm à mostra, inimigos da nação são feitos e novos heróis são necessários.

E é aqui que me preocupo. Elegeram novamente um herói, afinal, a placa de “Precisa-se de heróis” estava afixada em nossa grama. Trouxeram seu brasão ao peito, são uma única família sob uma mesma bandeira, sob uma mesma causa: eliminar a escória que tomou o poder. Dedicam seus dois minutos de ódio ao feito inimigo público, tal qual Orwell nos mostrou, expoem os podres dele, xingam, apedrejam, transformam cada aparição do mesmo na vinda do anti-Cristo. Afinal, não pode haver um herói sem um mal ser derrotado.

Quando decidi retornar ao mundo de que me afastei pra cuidar da minha senda acadêmica, deparo-me com fanáticos extermistas, ansiosos pelo seu herói declarado. Fanáticos. São apaixonados e não estão errados por se deixarem levar por paixões assim, nada que não esperaria de adolescentes. Resolvi aquietar e não os criticar, afinal, adolescentes estão cegos pelo seu coração que tapa os olhos e cala os ouvidos com seu brado forte e retumbante.

Retorno ao meu abrigo do mundo externo, abrigo este que será violado pelas escolhas que farei e que outros farão, tanto os adolescentes quanto os guiados pelo cabresto. Porém, reservo-me o direito de anotar o nome daqueles que expulsaram dos pulmões o berro por seu herói.

Em 2 anos, indaga-los-ei se valeu a pena. Se não valeu, quero ver como se comportam, se estão indignados, se mentem sobre sua escolha, como terão amadurecido esses adolescentes. Se valeu, não há porque se exaltarem contra os que duvidaram de sua fé, afinal, todos teremos ganhado com isso.

Categorias:Rio, sociedade

Bienal do Livro 2011

setembro 6, 2011 3 comentários

No clássico post (ou posts dependendo da quantidade de dias que vou) como  você pode ver aqui e aqui, falo um pouco da bienal e compartilho meus espólios de guerra. Esse ano, apesar de estar com um income maior que o de 2009 (e com certeza maior que de 2007), os espólios não foram tantos assim. Achei que até própria Bienal perdeu parte do encanto místico para se tornar apenas uma feira de livros para mim, ainda que me cause espanto com o tamanho da coisa, e espero que para vocês leitores ainda continue algo mais que isso.

Talvez o que tenha causado a perda de encanto da Bienal seja a falta de autores atuais que esteja lendo (não chamam o Ed Greenwood ou o R.A. Salvatore porque não são conhecidos por aqui), ou pela desorganização de alguns stands (Panini, aprenda com a Comix, se eu quisesse dava pra ter levado na moita o que desisti de comprar). A Devir estava com mais coisas interessantes que em 2009, apesar da falta de itens de D&D 3.5 por questões contratuais. Acho que depois que descobri os stands da Devir e da Comix, estas se tornaram meu real motivo pra ir na Bienal, realmente não vejo necessidade de um stand da Saraiva quando posso ir na loja quando quiser ou comprar pela internet.

Preacher, Homem-Aranha Noir, Tsubasa, Fábulas, Tartarugas Ninja, O Cerco, A Dama de Pharis, Realms of War

Espólios de guerra:

  • A Dama de Pharis  2 – Segundo volume há muito esperado. Panini finalmente entrega o final desta história de Lodoss War
  • O Cerco 2 e Tsubasa 53 – Havia perdido nas bancas
  • Tartarugas Ninja – Já deixei de comprar porque tava sem grana, mas lendo o Pink Vader decidi finalmente fazê-lo
  • Vampiros Manual de Conversão – Porque ainda não li Vampiro O Réquiem, mas não gostei dos clãs clássicos terem sumido. Talvez passe a gostar do novo jogo, mas há todo um legado que pode ser aproveitado.
  • Fábulas 4 – Porque é Fábulas, ora bolas, e na época que saiu não dei o voto de confiança que deveria ter dado.
  • Homem-Aranha Noir – Ouvi um casal comentando durante o almoço, no mesmo dia, sobre o universo Noir da Marvel e dei meu voto de confiança. Além disso, o Décio comprou o X-Men Noir, vamos emprestar.
  • Preacher 8 – Precisa MESMO falar sobre Preacher? Series finale, pode lançar os antigos agora, Panini.
  • Realms of War – O único livro de fato destes espólios, porque queria comprar algo barato de leitura de RPG na Devir e os outros que me interessaram eram volume I ou II sem o resto da série. E tem o Hunter’s Blade Trilogy do R.A. Salvatore esperando pra ser terminado, mas isso é assunto pra outro dia.

Em relação às bienais passadas:

  1. Ainda não comprei Sandman encadernado, Speed Racer, Drow of the Underdark e War of the Spider Queen (esses dois nem vou mais, saíram de linha)
  2. Comprei Changeling, Dragons of Faerûn, Lost Empires of Faerûn, Draconomicon e Tartarugas Ninja
  3. Continuo não conseguindo pegar autógrafo dos autores que conheço (Rafael Grampá e Fábio Moon, culpem a desorganização da Panini e sua fila quilométrica pra pagar)
E vocês, meus leitores preferidos, já foram nessa ou em alguma Bienal? A XV Bienal do Livro – Rio vai até 11 de Setembro no Riocentro.
Categorias:livros, Rio

Capeletti al quattro formaggi

agosto 4, 2011 3 comentários

Tem uns 6 anos que moro no Rio, saindo de baixo da asa da mãe e do conforto do lar para estudar na capital. Nesse tempo todo, a coisa mais “perigosa” que fiz na cozinha foi esquentar salsichas para comer com miojo. Ontem (e principalmente hoje) isso mudou.

Na semana que fiquei em Resende nas ferias, Vanessa e Gustavo me pentelharam para começar a cozinhar. Vi uma receita de biscoito de leite condensado (que o autocorrect do iPhone insiste em mudar para “conde Sado”), surgida em uma conversa com a Haku, como uma boa oportunidade. Falando com a patroa, acabamos decidindo fazer um jantar ao invés de doce, e ela me ensinou a fazer essas massas caseiras: comemos fagottini al pesto. Delicioso!

Hoje resolvi me aventurar sozinho. Botei a água com óleo e sal pra ferver, separei os capeletti e sujei a cozinha. Apenas molho quattro formaggi fiz conforme a receita, o resto foi seguindo as sabias palavras do pai de Fox McCloud: “trust your instincts”. E não é que deu certo?

20110804-062108.jpg

Claro que tive percalços. Por um momento, quase que a panela de capeletti vazou sobre o forno, ela é bem pequena. Depois foi a luta de fazer o molho, sempre mexendo, e evitar que o capeletti queimasse. O queijo grudou um pouco no fundo da panela, mas no fim das contas deu tudo certo.

Gostei da experiência, depois faço as contas e vejo quanto saiu a brincadeira, lembrando que água “tá na conta” e o óleo dura. Agora preciso terminar o Lights Out senão o Arthur me mata!

Categorias:Rio

Solitários desbravadores

julho 14, 2011 2 comentários

Nas páginas da Dragão Brasil, há tempos, de vez em quando apareciam as chamadas aventuras-solo, versões menores dos livros-jogo que ficaram famosos na década de 80 com a série Aventuras Fantásticas (Fighting Fantasy). Esses eram jogos para uma pessoa, em que o destino do personagem era determinado pelas escolhas do jogador, com ou sem fator aleatório, dependendo do jogo.

Em épocas magras, quando seus amigos não podiam jogar junto ou em uma longa viagem, quando videogames portáteis eram minigames, Gameboy ou Game Gear, essas aventuras-solo proporcionavam uma experiência mais próxima possível do RPG de mesa, sendo a própria revista ou livro o mestre de jogo. Foi quando eu estava fazendo o pré-vestibular e me encontrava um pouco distante da mesa que conheci uma evolução desse conceito, o Fortaleza de Berdolock.

Capa do jogo Fortaleza de Berdolock

Criado por Antônio Marcelo da Riachuelo Games, denomina-se um RPG solitário, em que o jogador interpreta um guerreiro que desbrava os túneis da tal fortaleza do outrora poderoso mago Berdolock em busca de fama e riquezas. Seu guerreiro é representado por uma ficha com poucos atributos, gerados aleatoriamente como nos livros da série Aventuras Fantásticas. O jogo é do tipo print and play, você pode baixar e imprimir o PDF com as regras, também recomendo ter papel quadriculado para ajudar no desenho da masmorra, alem de poder usar os cantos do mapa para outras anotações.

O grande diferencial do jogo é sua geração de masmorra aleatória, usando um limitado mas pratico número de geomorphs, o que possibilita masmorras diferentes a cada incursão de forma parecida com o que a série Diablo fez nos computadores. O mundo de Fortaleza de Berdolock, Lyzarbhi, continuou a ser expandido e referenciado em outras obras do autor, como os módulos de armas de fogo e de mortos-vivos para a versão fast-play do RPG old school nacional Old Dragon.

Tive o privilegio de poder contribuir na época como testador do módulo de expansão Os Pergaminhos Perdidos de Berdolock, que além de novos monstros, adicionava a mecânica do seguidor, um encontro aleatório que poderia se juntar a você para desbravar os escuros e perigosos túneis.

É um jogo rápido que se mostra um ótimo passatempo quando bate uma saudade de fazer dungeon crawling. A alta mortalidade da fortaleza faz cada incursão trazer uma tensão para o jogador e aumenta o sabor da vitoria, ao conseguir escapar da masmorra com vida e tesouros. Lembro-me de quando presenteei um amigo do cursinho com uma cópia e passamos alguns dias comentando sobre como nossos personagens morriam e como comemoramos quando o primeiro escapou com vida.

Outros RPGs solitários

O Fortaleza foi o que eu conheci primeiro e por isso marcou, mas houve outras produções (e certamente haverá mais) que se preocupam com a mesma coisa: você não ter outras pessoas para jogar e querer fazer um dungeon crawl rápido, sem usar livros-jogos que após algumas jogadas você descobre um caminho ótimo. Uma dessas é o RPG Solitário de Jeferson Shin que possui o conceito de níveis de experiência e usa isso para modificar o resultado dos dados na tabela de encontros na masmorra.

Outro que pode ser usado pra jogar sozinho é o o Mythic RPG, mas este chega a ir além. O Mythic é na verdade um sistema que pode ser usado sozinho ou em conjunto com outros RPGs para gerar eventos e pode ser usado de tal forma que vira um emulador de mestre de jogo. Ainda não li, mas pelo que o Ygor me falou é bem interessante e poderoso, sendo usado em alguns play-by-forum. Aos curiosos e interessados, vale a pena conferir.

E daqui pra frente?

Creio que o próximo passo nesses RPGs solitários seja sua transferência para celulares e tablets. O cenário hoje é diferente de 2004 quando conheci o Fortaleza de Berdolock, temos dispositivos com mais memória e capacidade de processamento que jogos parecidos com Diablo, como Dungeon Hunter (sua atual – e terceira – encarnação saiu na PSN com coop local), são possíveis em celulares. Criar um sistema em que você tenha uma experiência vintage de aventura-solo ou RPG solitário, com comparação de estatísticas com outros jogadores, não é só possível como podemos ver jogos no Facebook que são de certa forma a concretização disso, como o finado Dungeons & Dragons Tiny Adventures, onde você escolhia qual aventura ia fazer, mas o desenrolar era gerado aleatoriamente com poucas intervenções do jogador.

Categorias:games, Rio, RPG

16-bit e uma polêmica

Recentemente participei de dois podcasts do pessoal fantástico do Baixo Frente Soco, com participação de outros blogueiros famosos como a Rebeca do Girls of War e o Arthur do Vagrant Bard e do vlog Ludo Bardo, em um especial de 1 ano do BFS (Yay! Cheers!) sobre jogos de 16-bit que chegou a ser dividido em duas partes, a parte 1 com o início da era com TurboGrafx-16 e Mega Drive, e a parte 2 com o SNES e a Guerra dos Consoles. Ouçam, tem bolo.

Minha vida com os consoles 16-bit

Um breve resumo da minha vida com os consoles de 16-bit. Quem ouviu ambos os podcasts (e você, minha cara leitora, ouviu né? Aproveite o trajeto casa-trabalho, ouça antes de dormir ou no banho) já tem uma breve noção: em uma época longínqua, em que o console que todo mundo jogava quando a família se juntava para as festas de ano era o Atari do meu tio (que agora é meu) e o meu Phantom System e jogávamos Super Mario Bros e Super Contra, meus primos ganharam um Mega Drive. Seu processador de 16-bit, com um chip de som que era o processador central do Master System e gráficos impressionantes trouxeram jogos como Mortal Kombat e Sonic que fizeram a cabeça, deixando o Phantom e o Atari comendo poeira. Um amigo meu ganhou o SNES mais ou menos na mesma época, trazendo o novo Super Mario World para o meu mundo, lembro que o primeiro jogo que aluguei quando isso aconteceu foi o Mortal Kombat, que só podia jogar no Mega do meu primo.

Super Nes e Mega Drive

Os rivais da época: SNES e Mega Drive

Quase um ano depois meu pai compraria o SNES motivado pelas minhas diversas idas à casa desse meu amigo, e aí a Guerra dos Consoles faria parte da minha família, com primos fazendo bravatas  sobre seus consoles preferidos. Era uma época em que locadoras eram o meio mais barato de se ter acesso a novos jogos quando não dava para viajar ao exterior, e noites tinham que ser gastas aproveitando ao máximo os jogos alugados. Revistas como Videogame e Ação Games traziam notícias frescas, numa época em que só os mais abastados tinham acesso a BBS’ e a internet era uma criança prematura, vivíamos na era das trevas, só sabendo dos lançamentos quando já estavam nas prateleiras, e não quase 1 ano antes como hoje.

Revistas VideoGame e Ação Games

Nossa fonte de informação na época, com pilotos e detonados

E veio então o meu Mega Drive, e para mim a Guerra dos Consoles terminou em empate. Não havia porque dizer que Super Mario World era melhor que Sonic, já que podia jogar os dois agora. Não haveria mais diferença entre jogar futebol no Mega Drive ou no SNES, as produtoras já não assinavam mais contratos de exclusividade com o mesmo fervor que faziam antes. FIFA, International Superstar Soccer e Street Fighter II podiam ser jogados em qualquer console, e nem mais a briga de qual controle  era melhor fazia sentido porque você podia comprar os de terceiros e em formato arcade.

E veio o Playstation e o Nintendo 64, e nada mais foi o mesmo. Mega Man 7 e X, Sonic e Streets of Rage, jogos obscuros que só encontrava naquela locadora longe de casa, são coisas que pertencem àquele tempo e nele ficarão, com seu sabor de distância e de uma época com poucas preocupações. Hoje podemos reviver essa época com relançamentos nas Store da vida dos novos consoles, tirando a poeira de nossos próprios da geração 16-bit ou através de  emuladores. Mas nada como sentar em frente a uma TV de tubo, jogando em uma resolução máxima de 320×240 e esmagando botões.

Retron 3

Ou através desses retroclones, nem sempre maravilhas

Agora a polêmica

O que mais tenho ouvido com esses remakes, demakes e retrogames é sobre a estética 8-bit, embora geralmente só apontem para a parte dos gráficos, que é a polêmica que quero abordar. Jogos como Scott Pilgrim vs The World bebem diretamente de clássicos beat’em up da era 8-bit, como River City Ransom e Double Dragon, e embora possua gráficos pixelados, devemos lembrar que até hoje são produzidos jogos em pixel art sem necessariamente pertencerem à estética 8-bit, como alguns JRPGs para PSP ou DS por exemplo. Scott Pilgrim mesmo poderia ser encaixado na geração 16-bit ou na 32-bit, não deve em nada para jogos de PSOne. No meu post sobre Scott Pilgrim eu mesmo falo que Paul Robertson tem uma estética 8-bit em sua arte.

Double Dragon e River City Ransom

Inspirações...

Um jogo que abraça a estética 8-bit do Game Boy é o Tower of Heaven, da Askiisoft, tanto em sua temática quanto gráficos e músicas (que podem ser adquiridas aqui). Terraria, já comentado aqui, para mim não é um jogo com uma estética 8-bit (apesar de algumas pessoas talentosas homenagearem a era 8-bit nesse vídeo). Seus gráficos são pixelados mas o jogo não apresenta uma temática e mecânica vista em jogos da época, ao contrário do jogo promocional de H.A.W.X. 2.

Scott Pilgrim vs The World

... e inspirado

O que seria então a estética 8-bit? Procurei um manifesto 8-bit, algum documento que definisse as características que seriam intrínsecas a jogos dessa época, algo nos moldes do Guia para um D&D Mais Oldschool, do Vorpal, acabei encontrando essa lista de jogos 8-bit da Gamepro e entre os eles está Space Harrier. Você diria que esse jogo é 8-bit se não soubesse? Lendo o manifesto retrogamer do Senil do Gagá Games, percebo onde talvez esteja o que me incomoda com jogar tudo o que pareça pixelado dentro do saco da estética 8-bit: é uma questão de experiência de jogo, e não de qualidade de imagem, afinal, como disse antes, até hoje são feitos jogos em pixel art que não necessariamente são 8-bit em sua essência e não são mais processados por CPUs 8-bit nem sofrem as restrições das máquinas que eternizaram essa estética.

Como exemplo de um fator da essência podemos destacar a dificuldade elevada dos jogos que marcaram essa época. Como alguns jogos e desenvolvedores fizeram a transição dos arcades para os consoles, foi herdada a dificuldade inerente dos arcades, que era o modo de retirar dinheiro dos jogadores. Outro fator seria a criatividade para vencer as barreiras impostas pelas máquinas que rodavam os jogos, o talk do David Crane sobre Pitfall de Atari 2600 na GDC exemplifica muito bem essa parte.

TL;DR

A estética 8-bit não é apenas uma questão imagética, apesar de imagens em baixa resolução e pixeladas ajudarem a construir o clima, mas também leva em consideração fatores nostálgicos e de mecânica dos jogos. Embora os estilos de jogos não tenham mudado muito com o tempo, afinal, ainda temos jogos de plataforma, shooters e beat’em ups, as mecânicas sofreram evoluções juntamente com os gráficos e poder de processamento das máquinas. A estética 8-bit aborda tanto a imagética quanto as limitações sonoras, computacionais e de mecânica dos jogos, usando criatividade e jogo de cintura para contorná-las e entregar jogos desafiadores e viciantes, que ainda estavam na transição do arcade para consoles domésticos.

E você, cara leitora que não abandonou o texto até agora, ou pulou tudo mas pelo menos leu o TL;DR, o que acha? Concorda com essa visão sobre o que é a estética 8-bit e porque não se deve jogar tudo que é pixelado em um saco de gatos e chamar isso de 8-bit, 16-bit ou x-bit? Comente aqui clicando lá em cima no início do post se está vendo na página principal ou aqui embaixo se abriu o post em uma aba separada.

UPDATE: Como bem lembrou a Rebeca, já tem um tempo que saiu um artigo sobre aplicação de suavização aos sprites pixelados. É bem interessante ver como ficaram os resultados. Será que isso mudaria a forma como nos divertimos com Super Mario World?

Categorias:games, nostalgia, Rio

Gamecraft – Segundo dia (e encerramento)

O final do primeiro dia do Gamecraft trouxe uma lembrança: teríamos que fazer uma apresentação sobre os jogos enviados para a mostra indie e eu estava encarregado do primeiro jogo não-digital dos Ludobardos, já que nem o Rian nem o Cardarelli poderiam apresentá-lo por causa das bancas de projeto final da sexta. Compras guardadas, notícias e emails (OVER NINE THOUSAND!) lidos e um rápido cochilo de 20 minutos, era hora de trabalhar na apresentação.

No final das contas, acabei preferindo não dormir, conhecendo meus períodos de hibernação quando estou cansado, e isso mesmo com a extensão de tempo que recebemos do Pedro Henrique que saiu na noite anterior. Acabamos perdendo as duas primeiras palestras (e na pressa de sair de casa esqueci o Red Bull que levaria pra dar um gás), mas conseguimos chegar a tempo pra mostra dos jogos independentes.

Foi estranho apresentar ‘o Seu Espião Safado!‘, um jogo do tipo “print and play”, para uma platéia que esperava jogos digitais, mas o PH mostrou um tweet de alguém interessado, provavelmente um safado que está escondendo informações de alguém! Aproveitamos para divulgar também o projeto Gamerama do professor Guilherme Xavier, onde nasceram os jogos dos Ludobardos.

Arthur apresentou o nosso ‘Lights Out!’ em seguida, e showman que ele é, transformou nosso protótipo em algo que cativou a atenção da platéia, com apoio do PH e do Pivotto do Baixo Frente Soco jogando no palco. As outras apresentações foram bem interessantes, havia alguns ali que com um polimento a mais já ficariam bem fechados e outros que demonstravam a qualidade técnica e criativa dos desenvolvedores, espero vê-los no SBGames 2011 em Salvador. Fiquei decepcionado que o pessoal da PUC não foi apresentar o boardgame Folklore, eles poderiam até fazer um playtest com mais pessoas depois.

O Gamecraft terminou com o keynote do Carlos Bordeu, criador de Zeno Clash e Rock of Ages (que já espero tem algum tempo, é bem criativo. Será publicado pela Atlus). Carlos apresentou o Ace Team, de sua criação ao momento atual, compartilhando com a plateia suas experiências como desenvolvedor e como os presentes deveriam buscar se destacar nesse mar aberto.

O Gamecraft foi um evento excelente. Com jogo de cintura e muita dedicação, Yanko e Tinnus conseguiram manter a boa organização e propiciar algo que faltava no cenário carioca, uma lacuna que deixava muitos desenvolvedores sozinhos no escuro e dependendo dos poucos contatos que tinham. Yanko anunciou no final sua intenção de haver encontros trimestrais, o que acho muito bom pois marca ‘milestones’ para os desenvolvedores independentes não deixarem seus projetos na geladeira e é sempre bom reencontrar os amigos e fazer novos contatos.

Categorias:games, Rio